Mostra de cinema Ameríndio em Lisboa

Ailton Krenak, curador da Mostra Ameríndia- Percursos do Cinema Índigena no Brasil, desdobra-se em entrevistas, mas a sua serenidade é incorruptível. Escuta com atenção, olha com interesse e à medida que os jornalistas o rodeiam, sentimos que o ativista e curador da primeira mostra de cinema ameríndio a ter lugar na Calouste Gulbenkian de 13 a 17 de Março, tem um mundo mágico dentro de si, que queremos que partilhe connosco.
E foi isso que fez, primeiro no Brasil, em 2014 e agora em Lisboa, na primeira etapa da internacionalização.
Débora Pereira, representante do departamento de comunicação do Doc Lisboa – parceiro desta iniciativa- aproxima-se do banco onde estamos sentados e anuncia-nos que a mostra está a ultrapassar todas as expectativas; a sessão das 14h já se encontrava esgotada, e as restantes, das 19 e 21h seguiam o mesmo caminho.
“É uma vitória!”, refere Ailton. “Depois desta mostra de Lisboa, dois realizadores vão mostrar os seus filmes em duas universidades espanholas, e percebemos claramente que estando aqui, em Portugal, ficamos mais perto de outros vizinhos europeus. Se bem que para já não existe a ambição de fazer um périplo por outros países, porque é importante cultivar esta troca cultural com o povo português, pois partilharmos a mesma língua.”
Ao curador surpreendeu-o este acolhimento do público e o interesse pelas temáticas levantadas nas obras cinematográficas que “têm a intenção de mostrar a diversidade de situações que os povos índiginas vivem, uma vez que o mundo tende a pensar que estas comunidades têm uma plataforma comum, o que é um engano. Há comunidades que vivem num clima de abundância, rodeados de rios, florestas e outras onde o modo de vida está completamente alterado, pela proximidade dos centros urbanos, das industrias, do agro-negócio. Então este interesse do público em geral por este debate, anima-me.”
Estão em exibição nos espaços da Calouste Gulbenkian mais de 30 filmes de realizadores índígenas, assim como uma série de debates de entrada gratuita, mediante o levantamento do bilhete uma hora antes da sessão, que contará com a presença dos realizadores.
A integração, os rituais, as narrativas ancestrais e a problematização das comunidades indígenas com a demanda do mundo contemporâneo marcam grande parte da temática dos filmes em exibição, que visam eternizar um modo de vida único. “O Olhar de dentro de casa dos realizadores, protege as comunidades e uma das características deste cinema é que os realizadores são todos ativistas, que procuram no audiovisual a marca da sua cultura.”






