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As diferenças culturais e religiosas são as causas principais dos ataques a ocidentais no Mali

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Ilad Ag Mohamed, presidente da Coordenação dos Movimentos da Azawad (CMA), disse à e-GLOBAL que “este século foi o das religiões e das culturas. Infelizmente com muitos horrores”, e considera que o Estado maliano está incapaz de garantir a segurança no norte do Mali.

E-GLOBAL: Após o atentando que teve como alvo uma base militar em Gao que causou 76 mortos e 85 feridos, e outro ataque atingiu uma base da MINUSMA em Aguelhoc, como avalia a situação securitária no norte do Mali?

Ilad Ag Mohamed: A situação securitária na Azawad está a ficar cada vez mais preocupante, o Estado maliano está hoje incapaz de fazer face a tal situação.

O MNLA está a fazer face a várias dissidências internas, alguns dos seus quadros deixaram a organização para criarem novos grupos. Considera que este fenómeno poderá favorecer as organizações armadas no norte do país, as quais podem surgir a qualquer momento?

Claro que é uma situação lamentável que o nosso movimento está a viver, tal como todos os grandes movimentos no mundo. O essencial para nós é de não perder de vista os nossos objetivos e de os preservar.

Na sua opinião, quais são os grupos mais preocupantes na região e quais são os seus reais objetivos?

Os grupos mais conhecidos são a Ansaroudine, AQMI e MUJAO. Segundo o que eu sei, ainda não houve, oficialmente, discussões com estes grupos para saber quais são os seus objetivos. Presumo que eles querem que o Islão seja a religião de Estado.

O seu movimento está longe de estar em concordância com as entidades malianas, acha que tem margem para propor saídas para a crise?

O nosso movimento é signatário do acordo de Argel para a paz, assim, apenas pedimos uma estrita aplicação deste acordo.

mapaAzawadMuitos jihadista e chefes de movimentos islâmicos armados são provenientes do norte do Mali, especialmente tuaregues, entre eles Iyad Ag Ghali. Como interpreta este fenómeno?

Apenas podemos constatar e tentar compreender porque é que os jovens tuaregues são atraídos pela vaga jihadista. Na minha opinião é resultado de um mal-estar social resultante de um problema político entre a Azawad e o Mali, que remonta aos anos 60, data das independências, e que se arrasta na busca de uma solução durável. Nem as soluções patentes nos acordos conseguem ser aplicadas.

Acredita que existe uma real vontade política do governo em Bamako, e das forças presentes no terreno, para pôr fim a esta situação?

Essa é a grande questão.

A sua organização, que agrupa vários movimentos da Azawad, e que dispõe de armamento, poderá contribuir na mudança e pacificação da região?

Acredito que a segurança na região não poderá ser garantida sem uma implicação efetiva dos seus nacionais. Todavia, é necessário encontrar um enquadramento político que tenha em conta as reivindicações dos diferentes movimentos e que os possa responsabilizar pelos desafios securitários.

Qual é a posição da CMA face aqueles que continuam a destabilizar a região e que tipo de relação mantém com eles?

A CMA é uma vítima, por variadas razões, dos destabilizadores. Nós concentramo-nos essencialmente na rápida aplicação e integral do acordo de paz, que dá a possibilidade de pacificação do país.

Os grupos islamistas armados atacam cada vez mais os ocidentais. Qual é sua explicação para este fenómeno?

Isso é um debate antigo. Os islamistas, nas suas múltiplas declarações, denunciam a ocupação dos países muçulmanos assim como a imposição dos valores ocidentais aos muçulmanos.

Após os ataques contra estrangeiros em diferentes locais no Mali, como contra o hotel Radisson em Bamako, poderemos concluir que os países do Sahel em geral e em particular o Mali, são espaços hostis aos ocidentais?

Não sei. Os ocidentais não são as únicas vítimas. Assim, é necessário adotar uma política global para segurança de qualquer pessoa e dos seus bens.

As diferenças culturais e religiosas são as causas principais dos ocidentais como alvos?

Acredito que conta muito. Este século foi, mais que nunca, o das religiões e das culturas. Infelizmente com muitos horrores.

Como homem no terreno, pensa que poderá existir uma aproximação entre o Ocidente e estes grupos armados que olham para o Ocidente como as forças do mal?

Os homens têm soluções para todos os problemas, desde que as soluções sejam bem expostas.

RN/KR

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