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“Chocar para Educar” é o lema de Ras Bath para despertar os malianos para a realidade no país

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No seu escritório improvisado ao ar livre, montado no Carrefour des Jeunes, em Bamako, na presença da sua equipa de jovens, Mohamed Youssouf Bathily, mais conhecido por Ras Bath, recebe os cidadãos malianos que o procuram para esclarecimentos, auxílio em casos jurídicos, denúncias e outros assuntos para os quais não encontram resposta ou apoio dos serviços do Estado. Na maioria dos casos, a população não tem condições financeiras que lhes permitam recorrer a esses serviços, considerados, muitas vezes, ligados a um poder corrompido.

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É precisamente a alta corrupção dos corredores do poder que Ras Bath, admirador confesso de Ernesto “Che” Guevara,  põe em evidência nos discursos que faz por todo o país. É através deles que  arregimenta largas camadas de jovens, que rapidamente se tornam seus acérrimos defensores, espelhando uma juventude desmoralizada, sem esperança e sem rumo.

Uma juventude que luta diariamente para sobreviver aos quase irresistíveis assédios provenientes dos tráficos, do banditismo, do crime e do terrorismo. Uma juventude resiliente, que vislumbra através de Ras Bath uma centelha de esperança, que possa ajudar a conduzir o país a uma maior consciencialização individual e coletiva do caminho a traçar para um dos países que já foi o exemplo de desenvolvimento social e económico em África.

É inspirado nesse objetivo que Ras Bath, consciente, foca toda a sua missão, a que chama “chocar para educar”. Através da sua rede, reune indícios e provas de ações de corrupção cometidas ao mais alto nível no Estado, cujos tentáculos se estendem a inúmeras estruturas da administração estatal, estrangulando qualquer possibilidade de aplicação da Lei. As áreas de actuação envolvem sectores tão importantes como a Defesa, a Administração Interna, ou a Segurança, onde se misturam negócios com política e poder, sempre com os olhos postos no resultado das próximas eleições presidenciais, previstas para 2018.

É neste espírito de denúncia e contestação que este jovem jurista encontrou oposição e acabou por ser detido a 16 de agosto de 2016. Libertado dois dias depois, encontra-se desde então debaixo de uma forte vigilância das autoridades. Mas apesar de tudo, essa situação não o inibe de continuar a investigar até encontrar a verdade sobre casos onde a justiça não quer mexer ou evita que seja do conhecimento público “por envolver personalidades com destacado poder, como Karim Keita, o filho do presidente Ibrahim Boubacar Keita (IBK)”, como assegura Ras Bath sem qualquer receio.

“Todos aqueles que se atravessarem no caminho de Karim Keita poderão ver os seus dias amargos, pois é ele quem controla tudo através da presidência das principais comissões parlamentares, sobretudo a presidência da comissão de Defesa e Segurança, que detém as decisões sobre o fornecimento dos hidrocarbonetos. Basta seguir este filão para se perceberem as relações promíscuas entre os negócios e o poder político e numa análise mais profunda, e olharmos para a companhia suíça ORYX controlada por Karim Keita, percebemos rapidamente quem são os verdadeiros beneficiários destes perigosos jogos”, acrescenta Ras Bath.

Orgulhosamente vestindo a camisola de “Che” Guevara, Ras Bath pretende fazer a sua revolução num Mali cada dia mais fustigado pela instabilidade securitária, que isola o norte do sul do país, deixando todo um povo entregue à sua sorte, e por um fraco exercício do poder por parte do atual presidente IBK.

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