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Congresso pela Justiça na Azawad apela à mediação internacional para fim do cerco a Tombuctu

MaliCJA

A organização Congresso pela Justiça na Azawad (CJA) foi criada em 2016 por antigos membros do Movimento Nacional de Libertação da Azawad) e do Alto Conselho para a Unidade da Azawad (com a sigla francesa, HCUA), duas organizações que pertencem à Coordenação dos Movimentos da Azawad (CMA).

O CJA optou por não assinar os acordos de paz, e decidiu posicionar suas forças militares em torno da cidade de Tombuctu em sinal de oposição à instalação das autoridades provisórias. Uma operação bem-sucedida que bloqueou as autoridades provisórias e reforçou a posição do CJA no panorama político militar do norte do Mali. O CJA exige estar também representado no conjunto das autoridades provisórias em Tombuctu.

Entrevista com Ahmed Ag Hama, adjunto do coronel Abass Ag Mohamed Ahmed, chefe de Estado-maior do CJA.

E-GLOBAL: Que é situação em Tombuctu?

Ahmed Ag Hama: A situação atualmente vivida em Tombuctu foi desencadeada pela falta de inclusão na aplicação do acordo. A CMA, querendo apropriar-se de todas as estruturas, excluiu o CJA, que é uma grande força e que representa as populações que cobrem um território mais vasto que a região de Kidal.

O CJA não está aberto a negociações sobre a questão da representatividade (implementação das autoridades intermédias, etc.).

O que justificou o cerco de Tumbuctu?

É necessário entender que foi no seguimento de uma injustiça que o CJA, apoiado pela população da região de Tombuctu e indignado pela atitude do CMA, que ignorou os povos locais e os chefes tradicionais na designação do conselho regional de Tombuctu, que o movimento decidiu esta tomada de ação.

O que contestam em concreto?

Nós contestamos a nossa exclusão pelo CMA dos mecanismos de execução do acordo de Argel. E também o afastamento da sociedade civil na composição do conselho regional de Tombuctu, designado pelo CMA (autoridades provisórias). Estamos portanto descontentes com a falta de representatividade do nosso movimento nos mecanismos de aplicação do acordo (comissão de acompanhamento, outras comissões e autoridades intermédias).

Com a deterioração da segurança, estará a ser criado um espaço que pode vir a ser explorado pelos diferentes grupos jihadistas?

É óbvio que se a mediação internacional e as três partes signatárias do acordo não chegarem brevemente a um consenso, em relação a este bloqueio, estará aberto o caminho para todos que têm más intensões, inclusivamente o CMA que aproveita para atrasar a aplicação do acordo, nomeadamente o retorno da administração a Kidal.

As forças Barkhane (operação militar francesa no Mali) pretendem pressionar-vos para abandonar o local. Qual é a vossa posição e que relações mantém com esta força?

Nós colaborávamos em estreita parceria com a Barkhane, em relação à luta antiterrorista. O nosso movimento conseguiu evitar vários ataques em 2016 na zona de Farach. O coronel Abass, chefe do Estado-maior do CJA, deposita uma grande confiança nas forças internacionais, neste domínio, portanto é credível.

O que justificou a criação de um movimento que está hoje na linha da frente?

O CJA estava no CMA no momento da assinatura do acordo, mas os chefes do CMA (Coordenação dos movimentos da Azawad), concentraram tudo em Kidal quando as comunidades, de onde é originário o CJA, que tiveram um papel fundamental, não têm representação alguma. Foi esta injustiça que provocou a criação do CJA.

Que consequências da anunciada fusão de grupos terroristas na região?

A fusão destes grupos terroristas poderá ter um impacto na estabilidade a nível sub-regional, mas não vai altera em nada esta situação.

RN/KR

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