África Subsaariana | Exclusivo | Reportagem

RCA: ex-militares Seleka vivem em condições deploráveis

IMG_0109

 

O campo militar no PK5, em Bangui, foi ocupado pelos ex-seleka , que aí vivem, desde 2013, em condições de vida deploráveis e sem qualquer dignidade. Homens que ajudaram a defender o país aqui se encontram, agora, sem receberem os seus salários há oito meses e sem qualquer garantia de verem melhorado o seu presente e das suas famílias, e muito menos ainda têm forças para pensar no futuro ou num amanhã melhor.

Num país onde as ONG’s estão visivelmente presentes em diversidade e número e vemos uma família que acaba de receber da ajuda humanitária, cinco (5) latas de conserva para toda a família, independentemente do agregado familiar, para uma semana, reflete bem a gravidade da situação.

Vemos, também, uma imagem real, mas impensável em pleno século XXI, de um habitante do Batalhão BSS a escavar a terra para poder obter alguma água, revela a extrema dureza das condições de vida que os homens, mulheres e crianças vivem nos campos militares, onde se encontram acantonados, há dois longos e penosos anos, à espera que a situação política no país seja regularizada e que seja posto em prática urgentemente o DDR, tal como observa o Secretário-Geral do Movimento Patriótico pela República Centro-africana (MPC), Abel Balenguele.

IMG_0108 (1)

No campo militar vivem os ex-seleka com as suas famílias, distribuídos pelo Batalhão BSS, de apoio e dos serviços de aprovisionamento, e pelo Batalhão Beal, de cariz operacional, sem qualquer ajuda do Estado, contam só com algum apoio das Nações Unidas. Não têm dinheiro para os medicamentos ou para conseguirem uma consulta no hospital, mesmo ao lado do campo militar, as mulheres veem os seus filhos nascer nos braços de outras mulheres, sem qualquer outra assistência e em condições de higiene lamentavelmente insuficientes e até mesmo perigosas. Em muitos casos, mulheres e crianças morrem sem qualquer ajuda proveniente das autoridades ou das muitas ONG presentes na cidade.

 

IMG_0100 (2)

Os responsáveis no campo militar apelam, assim, ajuda aos Médicos sem Fronteiras para lhes fornecerem com urgência medicamentos e se deslocarem ao campo para realizarem consultas médicas.

É urgente que as autoridades olhem para este drama com olhos de ver e coloquem na sua agenda este tema como prioridade de discussão, a fim de encontrarem uma solução rápida e eficaz de modo a devolver a dignidade a estes homens que chegaram a correr perigo de vida para defender este país que os têm abandonados no PK5, e que agora desesperam por verem crescer os seus filhos com um sorriso de paz e em segurança .

 

Bangui, 29JAN16

© e-Global Notícias em Português
Comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo