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Síria: Cerco a Muadamiyat al-Sham é crime de guerra

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Muadamiyat al-Shamé uma cidade localizada não muito longe da capital Síria, Damasco. Fica somente a cerca de 4 kms e foi das primeiras a ficar cercada desde o primeiro dia da pacifica revolução síria, como atestam diversas manifestações a exigir  liberdade, justice e mudança. A cidade conheceu todas as piores facetas desta Guerra, detenções aleatórias e injustificadas, cerco e isolamento, bombardeamentos, explosões  e exposição à utilização de armas químicas que provocaram inúmeros casos de sufocação.

A cidade vive hoje mais uma páginas negra da sua história. Sob o pretexto da presença de grupos terroristas – que em 5 anos não conseguiram eliminar –  um novo bloqueio imposto pelo regime Sírio, condenando os seus habitantes a morrer à fome, foi a forma encontrada por Bashar Al Assad para controlar os locais onde é mais contestado.

Muadamiyat al-Sham tem hoje cerca de 45.000 pessoas a morrer a fome e a viver nas mais duras condições. Em nome da manutenção de um regime que mata os seus próprios.

 

A deterioração das condições  de vida adensa-se com o aperto do cerco à cidade pelas forças do regime, sobretudo através do encerramento do único local de passagem que liga a cidade ao exterior, barricando inclusivamente o abastecimento de medicamentos.

Esta situação coincide com o inicio da resposta armada em larga escala dos combatentes estrangeiros sobre as forças do regime que as forçou a recuar. Esta situação levou a uma operação militar de larga escala pelas forças do regime que acabou por dividir a cidade entre a parte sul e os pomares, que separam a cidade de Darya Nearby, acompanhada por bombardeamentos sem precedentes nas áreas residenciais, matando e ferindo dezenas de pessoas e varias instalações.

A falta de medicamentos e cuidados médicos levou já à morte de diversas crianças e idosos, nas ultimas duas semanas. Como nos confirma um medico do hospital em Muadamiyat Gouta, Omar al-Hakim. Segundo este clínico a vida de 169 crianças está, neste momento em perigo devido à falta de cuidados médicos básicos.

Além destes, mais 1500 pessoas com diversas doenças e 600 feridos sofrem por falta de tratamento, fruto do cerco à cidade.

No entanto, esta já não é uma situação nova para os habitantes de Muadamiyat al-Sham, que desde 2013 sofrem com situações similares, o que levou a que pelo menos 11 civis tenham logo nesse ano morrido de fome, a maior parte delas crianças. No mesmo ano, diversos civis perderam a vida em diversos ataques com armas químicas.

Supunha-se que, por esta altura, a situação estivesse aliviada e a vida das pessoas mais fácil. Mas ao contrario, as forças do regime continuam a apertar as malhas à cidade, não permitindo entrada de comida e medicamentos. Os bombardeamentos e o cerco regressaram com mais força, para combater os terroristas que afinal, ninguém vê.

Muadamiyat al-Sham

Siria

Fevereiro 2016

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