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CASA-CE denuncia situação grave dos estudantes bolseiros angolanos no estrangeiro

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Coordenador da CASA-CE na diáspora - Emanwell Mayassi

O coordenador do único partido coligado em Angola – Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) – na diáspora, Emanwell Mayassi, expôs numa entrevista ao e-Global, a “situação dos estudantes bolseiros angolanos em diferentes países do mundo”, que se encontram “a passar dificuldades imensas, a começar pela alimentação”.

Os estudantes angolanos partem para o estrangeiro com a garantia de uma bolsa do Governo angolano, que providencia a estadia dos alunos durante o tempo que permanecerem em determinado país. Contudo, as queixas aumentam relativamente à receção efetiva destas bolsas, e alguns estudantes referem-se à situação dizendo que um “estudante angolano na diáspora, é um guerreiro, principalmente quando se trata de bolsas do Governo”.

Emanwell Mayassi afirma que mantém um contacto permanente com estudantes angolanos na Rússia, mas já recebeu apelos provenientes de angolanos em Marrocos, França (Lyon), Ucrânia e Cuba. Acrescenta que a mesma situação poderá ocorrer noutros países, mas sublinha que “esses são os que já se manifestaram”.


“O Governo deve enviar para Angola especialistas para formar os angolanos, durante 20 ou 30 anos, pois são esses formadores que vão depois formar os angolanos”


As denúncias de alunos angolanos no estrangeiro referem períodos sem qualquer bolsa do Governo angolano, que chegam até aos 9 meses. Emanwell Mayassi explica que “para sobreviverem recorrem a compras a longo prazo ou auxiliam-se através de amigos de outros países”.

A situação financeira atual em Angola não ajuda à resolução deste problema, explica o coordenador da CASA-Cena diáspora, e avança que “alguns estudantes conseguem regressar ao país com ajuda das famílias”. Destaca a “insensibilidade dos governantes”, pois “alguns alunos que voltam ainda não terminaram a sua formação” e, reforça, “também as embaixadas não querem ajudar, muitas vezes quando os estudantes pedem auxílio, recusam ajuda e mandam-nos embora”.

Em Angola, refere Emanwell Mayassi, “a comunicação social diz que está tudo bem e que o problema está resolvido”. Relativamente ao partido, Mayassi afirma que “a CASA-CE já levou o assunto ao Parlamento, e que o Governo tem que tomar uma decisão”, pois “é difícil compreender porque é que o Governo não faz nada e não diz o que pensa fazer sobre esta situação”. Por fim, sublinha que esta realidade “está a envergonhar, e não honra, o país”.

Para Emanwell Mayassi, o Governo devia “esperar que a situação melhorasse antes de enviar estudantes para o estrangeiro”. No que diz respeito a possíveis soluções para estes problemas, Mayassi deixa bem clara a sua posição, pois considera que “devem ser criadas infraestruturas, como universidades, laboratórios, e equipá-los”. Depois disso, considera que “o Governo deve enviar para Angola especialistas para formar os angolanos, durante 20 ou 30 anos”, pois “são esses formadores que vão depois formar os angolanos”. Relativamente à mobilidade dos estudantes angolanos para o estrangeiro, a solução passaria por “enviá-los para estágios de poucos meses”. Esta seria, segundo Mayassi, uma forma de “diminuir os custos e aumentar as condições condignas de vida”.

O coordenador e representante da coligação eleitoral CASA lança “um apelo veemente ao governo angolano e ao Presidente da Republica de Angola, no sentido de fazer prova de um pouco de humanidade, de sensibilidade perante o sofrimento dos filhos dos outros, dos nossos irmãos angolanos”. Alerta que “se nada for feito, nos próximos tempos poderemos receber notícias muito graves”.

Emanwell Mayassi relembra a ainda os dois decretos, assinados no início desta semana pelo Presidente da República José Eduardo dos Santos, que aprovam créditos adicionais de um valor total de 43,7 milhões de dólares americanos para a Casa de Segurança do Presidente da República e para a Polícia Nacional, e lança as questões: “Porque não fazer a mesma coisa a fim de aliviar o sofrimento destes compatriotas? Porquê tanta insensibilidade diante do sofrimento dos estudantes que o próprio Governo enviou para o exterior?”. “Estamos à espera do pronunciamento do Presidente da República”, finaliza.

SC

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