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Diáspora angolana: CASA-CE promete “criar condições” para o regresso ao país

mayassi casa-ce
Coordenador Geral da CASA-CE Diáspora - Emanwell Mayassi

A Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) é, atualmente, a terceira maior força da oposição em Angola. Para as próximas eleições gerais de 23 de agosto, o candidato à presidência é o cabeça de lista Abel Chivukuvuku. A coligação promete, caso seja eleita, uma “mudança ordeira, positiva e pacífica” e “Realizar Angola e os angolanos”. O documento final redigido pela CASA-CE, com as propostas para o próximo Governo, deverá ser conhecido nas próximas semanas.

Em entrevista exclusiva ao e-Global, o Coordenador Geral da CASA-CE na Diáspora, Emanwell Mayassi, frisou os valores propostos pela coligação CASA-CE para o “combate à pobreza”, realçou o papel da diáspora nas Eleições Gerais de 23 de agosto, e como estão a viver os angolanos que residem no estrangeiro este período político em Angola.

Relativamente à participação da diáspora no sufrágio de 23 de agosto, Emanwell Mayassi afirma que “muitos angolanos não conseguem votar”, pois não conseguem tratar da sua documentação nos consulados dos vários países. Denunciou ainda que “o Governo atual escolheu algumas categorias de angolanos que podem votar, como bolseiros, diplomatas ao serviço do Estado angolano, etc.”, uma situação que, reforça, “viola o artigo 23º da Constituição angolana”. Tendo em conta esta realidade, Mayassi declara que a CASA-CE pretende “conceder o direito de votar na diáspora”, para que consigam ter “pleno direito de votar”, “como sendo cidadãos angolanos”.

Atualmente, muitos dos angolanos na diáspora “não estão registados”, relembra. Pelo que, acrescenta, o Governo “só pode contar com os cidadãos que estão registados nos consulados”. Relativamente à diáspora em França, onde reside atualmente Emanwell Mayassi, contam-se 17 mil angolanos registados. Apesar de tudo, sublinha Mayassi, “não tendo o direito de votar, [os angolanos residentes no estrangeiro] têm sempre a oportunidade de influenciar os familiares a votar”. Dessa forma, “a CASA-CE encoraja os seus militantes a deslocarem-se para votar em Angola em agosto”, acrescenta.

2º Congresso Ordinário CASA-CE (Luanda, 2016)

2º Congresso Ordinário CASA-CE (Luanda, 2016)

Para encorajar os quadros angolanos que estão no estrangeiro a regressar ao país, Emanwell Mayassi aponta que a CASA-CE vai “criar condições”, para “aceitar os quadros estrangeiros”. Para tal, explica que a coligação vai começar por “criar condições de habitação para que estes quadros possam contribuir para o desenvolvimento de Angola”. Relativamente ao partido no poder, o Coordenador Geral da CASA-CE na Diáspora denuncia que “o MPLA utiliza um «cartão de militância»”, que facilita a integração nos quadros públicos. Mayassi reforça que, apesar de tudo, “mesmo havendo uma falta de quadros gritante”, existe ao mesmo tempo uma falha na integração dos mesmos.

A mesma situação acontece com os estudantes bolseiros, acrescenta, que “estão a passar dificuldades” e “acusam a instituição responsável pelas bolsas de estudo” (INAGDE), de “falta de diálogo e falta de transparência”, pois chegam a estar até 10 meses sem receber as bolsas.

Segundo Emanwell Mayassi, seja qual for o partido eleito a 23 de agosto, deve “criar infraestruturas e fazer vir quadros estrangeiros na área da formação para ajudar os angolanos”. Numa primeira fase, defende, “devemos mandar vir os melhores profissionais”, para que formem os próprios angolanos durante alguns anos, para que futuramente se evite que os estudantes angolanos tenham que procurar um melhor ensino fora do país, esclarece.

abel chivu

Questionado sobre o papel da diáspora na CASA-CE, explica que, “os angolanos têm o papel de transmitir à comunidade internacional a realidade que se vive em Angola”, contrariando a imagem que os meios de comunicação no estrangeiro passam sobre o país, reforça. A propósito deste assunto, Emanwell Mayassi dá o exemplo das emissões da Televisão Pública de Angola (TPA) no estrangeiro, que “passam a imagem de uma «Angola bonita» que faz com que os angolanos pensem «se Angola é assim, eu volto»”. Acrescenta ainda que, a diáspora assume também “o papel de levar à própria coligação CASA-CE experiências, vivências, e uma nova conceção de política. Essa é uma forma de ajudar o partido”.

Por fim, Emanwell Mayassi salienta que a diáspora está a seguir este período eleitoral em Angola, através do estrangeiro, com um “olhar atento” e a “acompanhar” o decorrer de todo processo. A grande expectativa da comunidade angolana da diáspora, revela, é a “da alternância no poder para que Angola possa mudar”.

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