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Eleições Gerais de Angola: “As expectativas dos estudantes são as mais discordantes possíveis”

Wilson Chimoco 8
Wilson Chimoco - Membro da direção da Associação da Estudantes da Universidade Católica de Angola (UCAN)

Membro da direção da Associação da Estudantes da Universidade Católica de Angola (UCAN), Wilson Chimoco, explicou à e-Global que os estudantes angolanos estão a viver o período político no país, marcado por ser um ano de eleições gerais “com muita normalidade” e “seguramente expectantes” relativamente ao sufrágio agendado para 23 de agosto. Wilson Chimoco destaca a crescente “autodeterminação” dos jovens, que é ainda “tímida”, “mas real”.

Segundo Wilson Chimoco, “os estudantes têm uma palavra a dizer nos resultados de 23 de agosto”, mas acredita que o voto da camada jovem “não será decisivo” nas eleições, contudo realça que é importante que os jovens saibam “dizer a quem vai concorrer às eleições quais os reais problemas do país”, num momento que, sublinha, é “acima de tudo de consciencialização da população eleitoral da necessidade de tomar uma decisão acertada na altura da votação”. Defende também que, enquanto estudantes universitários, “mesmo com as nossas limitações, munidos de ferramentas da análise do contexto económico, político e social, devemos explicar o que está mal e mostrar e propor aquilo que deveria ser a melhor solução”.

Para os jovens angolanos, refere Wilson Chimoco, as eleições gerais de 23 de agosto, são uma oportunidade de combater os “paradigmas antidemocráticos instalados na nossa sociedade”. Segundo o aluno da UCAN, os jovens devem ter um papel ativo na sociedade, particularmente num ano de eleições gerais, e explica: “creio que chegou a hora de sermos nós jovens a promover e a dirigir esta transição que deverá nos levar, necessariamente, para uma maior democratização das instituições, promoção da igualdade e da justiça”.


As eleições gerais de 23 de agosto, são uma oportunidade de combater os “paradigmas antidemocráticos instalados na nossa sociedade”


O membro da direção da Associação de estudantes da UCAN realça que “as transições políticas são em muitos casos traiçoeiras”, pois “vezes há, em que há mesmo retrocessos”. Por isso, a camada jovem, defende Wilson Chimoco, “tem um papel importante” e revela uma “vontade de dizer eis-nos aqui, pois temos uma palavra a dizer, temos competências para fazer mais e melhor por Angola”, “pois não estaremos a combater a tirania de colonizadores, mas sim os paradigmas antidemocráticos instalados na nossa sociedade”, esclarece. Por isso, Wilson Chimoco refere que os desafios “terão de ser encarados de frente por nós, jovens estudantes, não como meros espectadores, mas sim, como verdadeiros players” numa fase que exige “bom senso e tolerância”.

Assim, destaca que “as expectativas dos estudantes são as mais discordantes possíveis”, ou seja, “discordantes na forma como está a ser conduzido todo o processo”, esclarece.

Relativamente à ida às urnas a 23 de agosto, para eleger um novo Presidente da República, Wilson Chimoco confessa que “há uma elevada carga de incertezas que não se vai dissipar depois dos resultados de 23 de agosto”, pois, “temos uma geração de jovens que não sabe o que é ter um outro Presidente da República”. Ou seja, esclarece Wilson, “essa é na verdade a primeira e principal certeza e ao mesmo tempo a causa das incertezas”. Acrescenta ainda que “os estudantes e a sociedade no geral estão cada vez mais certos que o país, até então, não funcionou com base em instituições fortes, capazes e que sejam legitimadas e guiadas pela estrita obediência às leis, mas sim por um conjunto de conveniências para agradar e acomodar uma minoria”, o que por vezes “mina” as expectativas dos jovens, reforça Wilson Chimoco.


“Há uma elevada carga de incertezas que não se vai dissipar depois dos resultados de 23 de agosto”


Sobre o decorrer da pré-campanha e aos partidos que começam a anunciar os seus programas de Governo, caso sejam eleitos, Wilson Chimoco refere que “a juventude se virou para os partidos da oposição que se estão a mostrar incapazes de tirar proveito dos buracos que a atual governação tem”. Por isso, adianta que “os estudantes universitários querem ficar com o melhor dos piores. Isso não quer dizer que concordam com o atual estado com que o país se encontra ou têm esperanças de que se venha fazer melhor”.

Por fim, apesar deste momento político e de todas as incertezas que pairam na camada mais jovem em Angola, Wilson Chimoco explica que prevalece “uma certeza de que as instituições que nos vão governar nos próximos cincos anos serão legitimadas pelo nosso voto”.

SC

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Fredy Ezeqyuiel Alione

    21/06/2017 at 16:49

    Linda reflexao mo irmao, continjua estaremos sempre juntos, enhorabuena or congratulations for this

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