Angola

Presidenciais Angola: FNLA mergulhada em divisões investe na formação de quadros do partido

FNLA

Os vários quadros do partido da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) vão iniciar a partir desta quarta-feira, na província e Lunda Sul, uma formação específica de preparação para as Eleições Gerais.

A formação inclui técnicas de propaganda eleitoral, estratégias de mobilização, sensibilização e recrutamento, incidência dos processos eleitorais na ação política partidária em Angola à luz da legislação, planeamento estratégico, gestão de informação partidária e administração e gestão do património.

Esta formação pretende que o conhecimento possa ser uma ferramenta para vencer os desafios que se avizinham para o partido. Como por exemplo, gerir os problemas da crise de liderança que se tem vivido dentro do partido, com destaque para março, um mês agitado pelas mais recentes polémicas.

Da instabilidade interna do partido, destaca-se a alegada suspensão de Lucas Ngonda da presidência. Aconteceu a 3 de março, durante uma reunião da direção do FNLA com os secretários provinciais e comissários eleitorais, em que discutiam questões relacionadas com a campanha eleitoral. Durante o encontro, o Presidente interino do FNLA Pedro Gomes, anunciou a suspensão de Lucas Ngonda. Em causa, entre várias outras razões, estava a recusa de Lucas Ngonda, em fazer uma concertação pedida por militantes, quadros e dirigentes, mandatados em assembleia do partido, a 30 de julho do ano passado.

Para além disso, Pedro Gomes afirmou, logo após o anúncio do afastamento do Presidente, que Lucas Ngonda é “a base da discórdia no partido”, e a “forma como o partido estava a ser gerido, é insustentável”, justificando a decisão tomada pelo Comité Central do FNLA.

Pouco depois da polémica, Lucas Ngonda defendeu-se, considerando a suspensão “ilegítima” e de “má-fé”. Segundo Ngonda, só aconteceu porque os membros do partido que concordaram com essa decisão queriam “minar a unidade do partido e buscar fins inconfessos”.

Devido a este e a outros conflitos internos no partido, alguns militantes chegaram até a rejeitar a adesão ao registo eleitoral.

Na mesma altura, em declarações à agência de notícias portuguesa Lusa, Lucas Ngonda referiu e lamentou que a situação pudesse quebrar uma “certa confiança que o partido está a recuperar” e garantiu que, em conjunto com os militantes do partido estão a fazer-se esforços para que o “partido reponha a sua imagem e ocupe de facto o seu verdadeiro lugar”.

Os contestatários do partido justificaram-se dizendo que Lucas Ngonda foi responsável por “violações constantes e permanentes” dos estatutos políticos, e tomou “medidas de carácter pessoal, sem cumprir com as normas estabelecidas no regulamento de organização e funcionamento das estruturas do partido”.

Lucas Ngonda defendeu-se uma vez mais, reforçando que todas as suas ações foram feitas com o objetivo de fortalecer a coesão e a unidade do FNLA, contudo “as partes envolvidas nunca se mostraram dispostas a aceitar o seu projeto”.

Depois da polémica membros do Comité Central da FNLA, surgiram novos nomes, como Nsansi Ya Ndele Manuel para Vice-presidente, Ndonda Nzinga como Secretário-geral interino e ainda Ngola Kabango como melhor possibilidade para substituir a presidência de Lucas Ngonda.

Lucas Ngonda sublinhou que tem o apoio do “verdadeiro” Comité Central e para provar a sua autoridade já anunciou para março, um Congresso para estudar a estratégia eleitoral do partido para as eleições gerais marcadas para agosto, e divulgar a lista do deputados da FNLA à Assembleia Nacional.

O FNLA anunciou ainda outro Congresso extraordinário que decorrerá de 28 a 30 de Abril, onde pretende reorganizar o partido e escolher uma nova liderança. Ngola Kabango poderá ser o cabeça de lista do partido às eleições de Agosto. Para este congresso extraordinário inclusivo, são convocadas todas as alas da FNLA, tendo por objetivo fundamental a unidade do partido e a adoção da estratégia eleitoral para as eleições gerais deste ano.

O Partido Frente de Libertação Nacional de Angola (FNLA) tem atualmente dois deputados na Assembleia Nacional.

A ida às urnas para decidir quem substituirá o atual Presidente José Eduardo dos Santos, está agendada para agosto deste ano.

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