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Rio volta a “sofrer” com problemas na área da segurança pública

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O tema da segurança pública continua a ser um grande desafio para a cidade do Rio de Janeiro. Com as recentes notícias de crimes cometidos um pouco por toda a cidade a população carioca começa a dar sinais de preocupação e impaciência. Autoridades mostram-se discordantes sobre a presença ou não de homens das forças armadas nas ruas da cidade maravilhosa.

Recentemente, presídios brasileiros sofreram motins. Mas a notícia que mais assusta a população é que o governo do Estado do Rio não está a ter condições de pagar os ordenados dos membros da Polícia Civil e Militar, em virtude da crise nas contas públicas. Para piorar a situação, parte do efectivo entrou em greve há alguns dias. Hoje, com os batalhões em operação, é possível ver viaturas nas principais artérias do Rio, contudo, a sensação de insegurança ainda é grande. Líderes sociais acreditam que a situação possa ainda piorar, uma vez que a maioria das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) está a perder território para o tráfico de drogas.

Em Fevereiro deste ano, a situação da segurança pública estava de tal forma comprometida que cerca de nove mil homens das Forças Armadas brasileiras foram deslocados para reforçar a segurança nas ruas do Rio de Janeiro, após solicitação do governador Luiz Fernando Pezão ao presidente Michel Temer. Essa iniciativa teve o nome de Operação Carioca.

Por seu turno, a Marinha patrulhou a capital, do Centro ao Leblon, na Zona Sul. Já o Exército actuou na via expressa Transolímpica, parte da Avenida Brasil, orla de Niterói e de São Gonçalo. A Força Nacional e a Polícia Militar fizeram o patrulhamento na Assembleia Legislativa (Alerj).

Logo no início deste ano, os números já mostravam que a cidade do Rio teria muitos problemas pela frente. Uma média de 14 mortos ao dia em circunstâncias violentas, um ferido de projéctil de fogo a cada oito horas e uma arma apreendida por hora faziam parte da estatística na cidade.

Somente nas três primeiras semanas do ano, morreram 16 policiais no estado do Rio e foi registada uma média de 18 tiroteios diários. A imprensa local relata que, na última década, 31 crianças morreram em decorrência de balas perdidas, 18 delas desde 2014.

Dados oficiais dão conta de que, entre Janeiro e Novembro de 2016, foram registados 4.158 assassinatos ao mês, 14 por dia, quase 20% a mais que no ano anterior.

Quatro dos maiores hospitais de Rio informaram, no ano passado, que 1.133 pessoas feridas de projéctil de arma de fogo ingressaram nos serviços de saúde, mais que o dobro do ano anterior, quando se registaram 720 casos.

Especialistas chamam a atenção para o aumento das armas de alto calibre, especialmente fuzis, apreendidas: de 214, há uma década, a 371, no ano passado, o que representa um aumento de 72%.

Informações do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro, referentes a Janeiro de 2017, mostram que no caso do Homicídio Doloso houve aumento de 17,2% em relação a Janeiro de 2016 (406 em 2016 – 476 em 2017); Letalidade Violenta (Homicídio Doloso, Latrocínio, Lesão Corporal Seguida de Morte e Homicídio Decorrente de Oposição à Intervenção Policial) houve aumento de 25,3% em relação a Janeiro de 2016 (479 em 2016 – 600 em 2017).

Foram também registados aumento de três vítimas em relação a Janeiro de 2016 (1 em 2016 – 4 em 2017) no caso de Policiais Civis e Militares Mortos em Serviço; Homicídio Decorrente de Oposição à Intervenção Policial – aumento de 84,9% em relação a Janeiro de 2016 (53 em 2016 – 98 em 2017); Roubo de Veículo – aumento de 25,3% em relação a Janeiro de 2016 (3.358 em 2016 – 4.207 em 2017); Feminicídio – no mês de Janeiro de 2017 foram registadas 53 vítimas no estado.

Em termos de produtividade policial, pode-se assinalar aumento de 3,6% de armas apreendidas em relação a Janeiro de 2016 (727 em 2016 – 753 em 2017), sendo 45 fuzis; Prisões (Guia de Recolhimento de Preso) – Redução de 3,7% em relação a Janeiro de 2016 (3.226 em 2016 – 3.107 em 2017); Prisões (Auto de Prisão em Flagrante e Cumprimento de Mandado) – redução de 18,9% em relação a Janeiro de 2016 (4.590 em 2016 – 3.724 em 2017); Apreensões de Adolescentes (Guia de Apreensão de Adolescente Infrator) – redução de 12,3% em relação a Janeiro de 2016 (907 em 2016 – 795 em 2017) e Apreensões de Adolescentes (Apreensão de Adolescente por Prática de Acto Infracional e Cumprimento de Busca) – redução de 36,3% em relação a Janeiro de 2016 (1.293 em 2016 – 824 em 2017).

As autoridades brasileiras garantem que a situação está sob controlo e que novas acções serão realizadas para garantir a segurança pública no Rio. A instabilidade política coloca em causa inclusive a governabilidade do Estado fluminense.

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