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Guerrilha em Cabinda apresenta vídeo com os quatro polícias angolanos prisioneiros

Após o anúncio da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), que reivindica a captura quatro polícias angolanos, o porta-voz do comando-geral da Polícia Nacional de Angola, Orlando Bernardo, desmentiu a informação e declarou à agência Lusa que “ é mais uma manobra de diversão para chamar atenção. Não há nada de concreto em relação a isso”, e acrescentou: “Não temos nenhuma informação que nos leva a acreditar nisso, até porque em conversa com o comandante de Cabinda e outras entidades locais não se confirma”.

Esta sexta-feira, 19 de maio, a FLEC transmitiu um conjunto de vídeos que apresentam os quatro polícias angolanos prisioneiros da guerrilha.

Num dos vídeos o comandante Mabiala, entre “viva a FLEC/FAC” e “o presidente Emmanuel Nzita”, assume que são da FLEC/FAC e que o movimento “não é terrorista”. “Quem faz de terrorista em Angola é o MPLA”, diz o comandante. Apontando para os detidos diz que “são os polícias que foram capturados” que nem “Angola está a acreditar”. No mesmo vídeo Mabila apela a “África e ao mundo” para verem a “realidade da FLEC/FAC”.

Um responsável da FLEC em Cabinda, contactado pelo telefone, garantiu que os prisioneiros estão a ser bem tratados, e beneficiam das mesmas condições dos guerrilheiros. Segundo o mesmo responsável “a FLEC não usa as práticas de Angola, que rapta, tortura e executa os cabindas em segredo”, e lembrou que a guerrilha já apelou à mediação do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para a libertação “imediata” dos prisioneiros.

O militar da FLEC insistiu também que “os quatro polícias angolanos não são reféns, mas são prisioneiros de guerra” e que o movimento independentista respeita a Convenção de Genebra relativa aos prisioneiros de guerra.

A Convenção de Genebra, artigo 44º, referente aos combatentes e prisioneiros de guerra, determina que “Qualquer combatente, (…), que cair em poder de uma Parte adversa, é prisioneiro de guerra”.

No artigo 4º da Convenção III, entre as seis categorias que estabelece sobre quem será considerado prisioneiro de guerra, precisa: “Os membros das forças armadas de uma parte no conflito, assim como os membros das milícias e dos corpos de voluntários que façam parte destas forças armadas; Os membros das outras milícias e dos outros corpos de voluntários, (…), incluindo os dos movimentos de resistência organizados (…); Os membros das forças armadas regulares que obedeçam a um Governo ou a uma autoridade não reconhecida pela Potência detentora”.

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