Cabo Verde

Governo de Cabo Verde acusa oposição de “especular” sobre reforço da cooperação com Israel

Israel e Cabo Verde
Fotografia: Expresso das Ilhas

No comunicado que o Governo de Cabo Verde fez chegar à imprensa esta sexta-feira, começa por referir-se às mais recentes publicações nas redes sociais, por parte do partido da oposição PAICV, como “um conjunto de especulações sobre uma pretensa intenção do Governo de Cabo Verde de se desvincular dos princípios básicos que norteiam a relação entre os povos e (…) de estar a distanciar-se das resoluções legitimamente adotadas pelas Nações Unidas”. No mesmo documento, o Governo acusa a oposição de utilizar “uma estratégia dissimulada”, “com recurso a escribas de serviço, uns absolutamente irrefletidos e inconsistentes, outros, mais subtis e ardilosos”, sublinha.

Durante a semana passada, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, divulgou na sua página da rede social twitter: Cabo Verde anunciou que deixará de votar contra Israel nas Nações Unidas. Esta decisão resulta do meu recente encontro com o presidente de Cabo Verde, o que suscitou alguma controvérsia. Segundo os jornais cabo-verdianos “esta decisão constitui uma reviravolta na política externa moderada pela qual Cabo Verde se tem pautado”, pois a política expansionista levada a cabo pelo atual ministro israelita tem sido criticada e alvo de sanções por parte das Nações Unidas.

O Governo de Cabo Verde vem assim defender-se no comunicado, no qual sublinha que as afirmações do PAICV “estão claramente em contramão com as mais legítimas aspirações dos cabo-verdianos”. E explica que “o estreitamento dos laços de cooperação com o Estado de Israel não tem correlação e tampouco implica qualquer desvinculação dos valores éticos que norteiam a coexistência pacífica dos povos”. Justifica ainda que “a pretensão do Governo circunscreve-se estritamente a uma intransigente defesa dos interesses de Cabo Verde e dos cabo-verdianos por via de uma procura transparente, objetiva e pragmática de novas hastes”.

Sobre esta polémica, Miguel Monteiro, secretário-geral do Movimento para a Democracia (MpD), atual partido no poder, também se pronunciou dizendo que a aproximação entre Cabo Verde e Israel é “resultado da própria mudança de Governo”. Por isso, referiu ainda que Israel é um país que “pode ajudar muito a nível da segurança, ao nível da agricultura”.

Por fim, lê-se no documento que “o Governo de Cabo Verde irá continuar a trabalhar para desenvolver e consolidar as relações de cooperação e de amizade com o Estado de Israel e brevemente designará um Embaixador não residente naquele país do médio oriente”. E o Governo garante ainda que “não se desviará um milímetro sequer da sua opção pragmática e objetiva da nova diplomacia”.

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