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Yahya Jammeh contestado no seu país de exílio

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A presença do ex-presidente da Gâmbia Yahya Jammeh na Guiné-Equatorial, onde lhe ofereceram exílio político depois da sua derrota nas eleições presidenciais de dezembro de 2016, está a ser recusada e contestada pela maioria dos cidadãos equato-guineenses

Muitos equato-guineenses acreditam que Yahyah Jammeh violou os direitos dos seus compatriotas e deveria assim responder na justiça do seu país ou no Tribunal Penal Internacional pelos actos e crimes que tenha cometido durante o seu mandato.

“Recusamos categoricamente a presença do ditador da Gâmbia Yahya Jammeh no nosso país e pedimos ao Governo que esta pessoa regresse ao seu país. Violou os direitos dos seus compatriotas e deve ser levado ao TPI para ser julgado” declarou Gabriel Nse Obiang Obono, líder do partido da oposição Ciudadanos por la Innovación.

“O Presidente da Guiné-Equatorial Teodoro Obiang Nguema tomou uma decisão de Estado devido ao seu espírito panafricanista para evitar uma confrontação armada na Gâmbia”, referiu o porta-voz do governo de Malabo para justificar o acolhimento do ex-Presidente da Gâmbia na Guiné-Equatorial.

Um acto que ensombra a imagem da Guiné-Equatorial junto da Comunidade Internacional, segundo Eusebio Ela Ovono, director executivo adjunto do Centro Nacional para os Direitos Humanos. “Jamen é como uma pedra no sapato de alguém”, refere Eusebio Ela.

Eusebio Ela afirma que Yahya Jameh dirigiu a Gâmbia com uma mão de ferro, matou e encarcerou os gambianos injustamente, apenas para se manter no poder.

As autoridades da Guiné Equatorial tentam minimizar a contestação e a recusa da maioria dos cidadãos nacionais com a presença de Jammeh, falando da hospitalidade que caracteriza este país da África Central, onde segundo as organizações internacionais de defesa dos direitos humanos, a liderança é também assegurada por um ditador, Teodoro Obiang Nguema.

O partido político Convergência para a Democracia Social denunciou a presença de Jammeh e o desprezo do Presidente da Guiné-Equatorial pelas instituições do Estado, uma vez que não submeteu o acolhimento ao ex-Presidente da Gâmbia ao Parlamento, uma decisão qualificada de unilateral por este partido, o único que tem um deputado e um senador no parlamento.

“Acolher este ex-Presidente que dizem que é um ditador não nos faz grande honra e colocará o nosso país debaixo de pressão internacional uma vez que cometeu muitos crimes no seu país e dizem que roubou dinheiro do seu país”, opinou Asangono Ondo, uma empresária local.

Já entre a classe jornalística, a opinião geral é de ironia. “Yahya Jammeh vai investir na Guiné-Equatorial, trouxe com ele muito dinheiro, onze milhões de dólares”, refere Juan Mendene.

Yahya Jammeh chegou à Guiné-Equatorial a 21 de Janeiro e beneficia de um exílio dourado numa antiga residência de amizade da família presidencial em Malabo, segundo fontes da presidência.

Foi proibida a divisão da actualidade da Gâmbia na radiotelevisão estatal da Guiné-Equatorial (RTVGE), de acordo com os jornalistas deste meio de comunicação público.

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