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Moçambique com dificuldades em fornecer informações sobre rapto de empresário português

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Maputo

As informações são parcas e a comunicação das autoridades moçambicanas deficitária, sobre o rapto do empresário português em julho de 2016, na Gorongosa, província de Sofala. Um caso que está a fragilizar as relações diplomáticas entre Portugal e Moçambique.

“Neste momento, não podemos avançar nada. Esperamos por informações da equipa (destacada para a investigação) no terreno”, limitou-se a dizer à Lusa Inácio Dina, porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique, que garante que “em nenhum momento, a polícia (moçambicana) vergou” e que “as investigações continuam”.

Todavia os resultados práticos são quase nulos e as informações raras, mesmo quando estas são solicitadas pelo presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, ao seu homólogo moçambicano, Filipe Nyusi.

A alimentar as dúvidas sobre a gestão moçambicana do dossier do rapto do empresário português, estão as respostas vagas das autoridades moçambicanas, as quais chegaram a sugerir que o empresário tivesse sido raptado por elementos da Renamo, que operam na Gorongosa, uma hipótese pouco credível para as autoridades portuguesa.

Outras interrogações surgiram também em Lisboa, quando foi proposto que uma equipa da Polícia Judiciaria portuguesa poderia deslocar-se a Moçambique para colaborar com a sua congénere local nas investigações, tal como já aconteceu no passado em casos de raptos de cidadãos nacionais em Moçambique. Uma proposta que não mereceu a atenção devida por Maputo.

Para tentar amenizar a impaciência portuguesa, Maputo enviou a Lisboa o ministro do Interior, Jaime Basílio Monteiro, que reuniu-se na terça-feira, com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o primeiro-ministro, António Costa, a quem poucas informações adiantou.

Moçambique é o país dos PALOP que faz face à maior vaga de raptos de empresários nacionais e estrangeiros. Apesar de a maior parte dos episódios serem resolvidos mediante o pagamento de resgates, a vaga de raptos prossegue de forma ascendente. Entre vários fatores, o sucesso de alguns grupos criminosos nestas práticas deve-se ao envolvimento e cumplicidade de polícias locais, assim como a colaboração de redes que vão para além da esfera classicamente criminosa.

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