São Tomé e Príncipe

MLSTP preocupado com fraude eleitoral

EQUIPAMENTO RECENSEAMENTO ELEITORAL

O presidente do MLSTP/PSD denunciou em conferência de imprensa que as falhas detetadas no novo sistema de base de dados da Comissão Eleitoral Nacional podem dar origem à fraude eleitoral.

«Tivemos a oportunidade de visitar o servidor. Constatamos que os cartões duplicados tanto podem ser eliminados como não. Um indivíduo é que terá a possibilidade de fazer qualquer alteração necessária. O sistema não faz a eliminação automática», disse Aurélio Martins.

«Não obstante, o administrador do sistema ter permissão para validar ou não o registo, a verdade é que o eleitor físico pode ter mais de uma inscrição. Isto é grave!», acrescentou.

No teste solicitado por Aurélio Martins num posto de recenseamento, foi possível obter dois cartões de eleitor. “Queremos com isso dizer que com uma impressão digital pode-se obter vários cartões de eleitor”.

O líder do principal partido da oposição mencionou ainda que, “em menos de 24 horas de recenseamento, registou-se no servidor central mais de 16 duplicações de nomes”. “Ao longo de 3 meses de recenseamento, quantas duplicações poderemos ter”, questionou.

A desconfiança é grande, tendo em conta o que aconteceu nas eleições presidenciais.

«Sabemos com quem estamos a tratar. Já nas eleições passadas vimos qual foi a atitude do governo em interferir nos assuntos ligados às eleições e não queremos que esta situação continue para o bem de São Tomé e Príncipe», comentou.

Martins pretende saber da Comissão Eleitoral “qual é o verdadeiro critério de segurança no processo eleitoral e da emissão de novos cartões”.

Para garantir a transparência do processo, o líder do MLSTP pediu uma fiscalização internacional, que integre técnicos de Timor Leste, país que “gentilmente forneceu os equipamentos a São Tomé e Príncipe”.

O presidente da Comissão Eleitoral manifestou-se “surpreendido e triste” com as declarações de Aurélio Martins, porque facilitou a visita guiada ao servidor de uma delegação em que estava também o presidente do PCD, Arlindo Carvalho, e um técnico informático da Companhia Santomense de Telecomunicações e onde todos os esclarecimentos foram prestados.

Segundo Alberto Pereira, o segundo cartão foi obtido porque os dados introduzidos, nome e filiação, foram diferentes, embora a impressão digital tivesse sido a mesma.

«O facto de ter 2 cartões não significa que o eleitor poderá votar 2 vezes. Os equipamentos que temos nos postos, estão ligados online e evita a dupla inscrição quando forem os mesmos dados que estão na documentação», disse.

«Aurélio Martins esteve na base de dados e viu que as mesmas impressões digitais caem na mesma caixa onde estão as duplicações. Ele diz que deveria ser feita a eliminação automática. O sistema não elimina nenhum eleitor duplicado automaticamente. O técnico terá que comprovar entre as inscrições qual é que deve ser ativada, tendo em conta a veracidade da inscrição», admitiu.

Alberto Pereira reiterou que a Comissão Eleitoral está aberta para colaborar. «Se quiserem uma auditoria internacional, não há problema. Não temos nada a esconder. Nós queremos que o processo possa ser o mais transparente possível», sublinhou.

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