África Subsaariana | Crise

Confrontos na Etiópia fazem 669 mortos em três regiões

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Um total de 669 pessoas morreu nos confrontos que abalaram a Etiópia durante vários meses até à imposição de um estado de emergência em outubro passado, de acordo com um relatório de investigação apresentado ao parlamento na terça-feira e divulgado pela Reuters.

A Etiópia declarou seis meses de estado de emergência depois de mais de um ano de violentos protestos nas regiões de Oromiya, Amhara e SNNP, onde os manifestantes acusam o governo de ter desrespeitado os seus direitos políticos.

O país do Corno de África tem enfrentado críticas tanto do exterior como internas devido à sua abordagem autoritária ao desenvolvimento económico.

A Comissão Etíope dos Direitos Humanos – órgão mandatado pelo parlamento para investigar a violência – apresentou as suas conclusões na terça-feira e reconheceu que as forças de segurança tomaram medidas desproporcionais em algumas regiões.

O relatório diz que 462 manifestantes e 33 funcionários de segurança foram mortos na agitação que envolveu 91 cidades apenas na região de Oromiya. Os manifestantes recusaram ter as suas terras incorporadas nos limites da capital Addis Abeba.

O chefe da Comissão, Addisu Gebregziabher, disse ao parlamento que as forças de segurança foram “negligentes” quando dispararam gás lacrimogéneo contra manifestantes durante um festival religioso, provocando uma debandada que matou cerca de vinte pessoas.

Segundo o relatório divulgado pela Reuters, na região de Amhara, 110 manifestantes e 30 agentes de segurança foram mortos em confrontos provocados pela prisão de ativistas em território disputado. As tensões têm vindo a crescer há cerca de 25 anos no estado do distrito de Wolkayt, que os manifestantes dizem que foi incorporado ilegalmente na vizinha região de Tigray, ao norte.

Essa disputa é particularmente sensível porque é contrária a uma divisão da Etiópia segundo as linhas étnicas e linguísticas, imposta pelo núcleo da atual coligação do EPRDF, quando chegou ao poder em 1991.

Ainda do relatório, constam 34 pessoas que morreram na região SNNP que fica ao sul de Addis Abeba.

A Etiópia é um importante aliado do Ocidente no combate aos grupos islamitas na Somália, bem como um cada vez mais importante ator econômico numa região frágil.

Em outubro, a Etiópia acusou “elementos” na vizinha Eritreia, no Egito e em outros lugares de responsabilidade na vaga de conflitos. Desde então, prolongou o estado de emergência em todo o país por mais quatro meses.

 

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