África Subsaariana | Crise

Mais de metade dos migrantes da África central e ocidental são crianças

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Cerca de 7 milhões de crianças da África central e ocidental foram obrigadas a abandonar as suas casas devido à violência, pobreza e alterações climáticas, o que corresponde a mais de metade dos migrantes da região, segundo números das Nações Unidas divulgados nesta quarta-feira e citados pela Reuters.

A maior parte das crianças procura refúgio noutras nações africanas e uma em cada 5 tenta a perigosa viajem para a Europa, revelou a UNICEF.

Nos últimos quatro anos, meio milhão de pessoas atravessaram o Mediterrâneo desde a Líbia até Itália, a maioria africanos subsaarianos que pagam a contrabandistas para atravessarem o deserto e o mar em rotas não navegáveis até à Europa.

Pelo menos 20.000 destas pessoas estão detidas na Líbia, o principal ponto de acesso à Europa por via marítima, de acordo com a Organização Internacional de Migração.

A falta de oportunidades económicas forçaram cerca de 12 milhões de pessoas a emigrar na África central e ocidental, avançou a UNICEF no seu relatório.

Também na origem desta crise estão as alterações climáticas que têm vindo a agravar-se em várias zonas de África, onde as temperaturas têm aumentado e onde a ocorrência de aguaceiros tem diminuído, que provocou a redução da produção de alimentos forçando vários agricultores a abandonar as suas terras.

Uma em cada cinco pessoas na República Centro Africana, cerca de um milhão, foi deslocada desde que se iniciou o conflito entre os rebeldes muçulmanos Seleka e as milícias cristãs, apontou o Conselho Norueguês de Refugiados (NRC).

Apenas em 2016, mais de 922 mil pessoas foram expulsas das suas casas devido a conflitos na República Democrática do Congo (RDC), em comparação com 824 mil na Síria, de acordo com o Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno, que faz parte do NRC.

“As crianças na África ocidental e central deslocam-se em maior número de sempre, muitos em busca de segurança ou uma vida melhor”, disse a diretora regional da UNICEF, Marie-Pierre Poirier. “No entanto, a maioria dessas crianças desloca-se dentro da África, não para a Europa ou para outro lugar. Devemos ampliar a discussão sobre a migração para abranger as vulnerabilidades de todas as crianças em movimento e expandir os sistemas para protegê-las, em todos os destinos pretendidos”, disse.

Mundialmente, 65,6 milhões de pessoas encontram-se deslocadas, sendo que perto de metade destas são crianças, revelou a agência de refugiados das Nações Unidas (UNHCR).

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