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Aung San Suu Kyi nega acusações de limpeza étnica dos muçulmanos Rohingya em Mianmar

Aung San Suu Kyi1

A chefe do governo birmanês, Aung San Suu Kyi, negou as acusações de limpeza étnica da minoria muçulmana rohingya em Mianmar, numa entrevista à BBC, depois de a ONU ter iniciado uma investigação sobre as alegações contra o exército no país do sudeste asiático.

Os rohingya são uma minoria muçulmana apátrida, com cerca de 1,1 milhão de habitantes, que residem principalmente no estado de Rakhine, no oeste do país, onde sofreram décadas de perseguição.

Mais de 120 mil pessoas foram deslocadas pela onda de violência que começou em 2012, e a maioria dos rohingya ainda vive em campos de deslocados com precárias condições, onde lhes são negados cuidados de saúde adequados, educação e liberdades básicas.

A 9 de outubro do ano passado, os militares de Myanmar lançaram uma violenta campanha contra a população Rohingya no estado de Rakhine, após suspeitas de que radicais islâmicos teriam atacado posições de guardas fronteiriços, matando oito agentes.

Desde essa altura, mais de 94.000 rohingyas fugiram de suas casas, quase todos para o Bangladesh, do outro lado da fronteira, alegando que as forças de segurança mataram indiscriminadamente homens e meninos, estupraram mulheres e destruíram propriedades.

Aung San Suu Kyi, negou as acusações de limpeza étnica, “Não acredito que haja limpeza étnica. Considero que o termo ‘limpeza étnica’ seja muito forte para explicar o que aconteceu”, disse a ex-dissidente numa entrevista transmitida na quarta-feira pela BBC.

Segundo a chefe de governo há “muita hostilidade” na província oeste do país, onde vive mais de um milhão de rohingyas, mas “são também os muçulmanos que matam outros muçulmanos”. “Não é unicamente um tema de limpeza étnica”, acrescentou a vencedora do prémio Nobel da Paz de 1991. “Trata-se de dois grupos que se enfrentam e tentamos resolver” a situação, sustentou..

A ONU resolveu em março enviar uma missão de investigação internacional ao país, mas o governo rejeitou a resolução. No mês passado, o relator especial da ONU para os direitos humanos em Mianmar, Yanghee Lee, alertou que o governo “pode estar a expulsar completamente a população Rohingya do país”.

Suu Kyi, vencedora do Prémio Nobel da Paz, foi duramente criticada por seu silêncio sobre a questão. Questionada pela BBC se o Ocidente, que apoiou os seus esforços pró-democráticos durante as décadas em que Myanmar estava sob o domínio militar, julgou mal seu caráter, respondeu que  “Sou apenas uma política, eu não sou exatamente como Margaret Thatcher, não, mas por outro lado eu também não sou Madre Teresa. Eu nunca disse que era. “

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