Crise | Médio Oriente

Mais de 100 mil casos de cólera no Iémen

colera no iemen

O número de casos suspeitos de cólera no Iémen aumentou para mais de 100 mil desde que o surto começou em 27 de abril, anunciou a Organização Mundial da Saúde esta quinta-feira.

A rápida propagação da doença através de 19 dos 23 distritos do Iémen desencadeou uma catástrofe humanitária, depois de dois anos de guerra civil que inutilizou a maioria das instalações de saúde, de acordo com o gabinete humanitário da U.N.

“Até à data, 101.820 casos suspeitos de cólera e 789 óbitos foram relatados em 19 distritos”, disse o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic, à Reuters.

A OMS advertiu que o número de casos poderia atingir os 300 mil, mas o número diário de novos casos diminuiu ligeiramente na semana até 5 de junho para 3.432, contra 3.651 no período de sete dias anterior.

“O Iémen está a atravessar uma epidemia de cólera a uma escala sem precedentes”, disse o gabinete humanitário da U.N. num relatório publicado na quarta-feira. “Crianças e mulheres malnutridas, pessoas que vivem com outras condições de saúde crônicas e famílias que não têm o suficiente para comer correm maior risco de morte quando enfrentam a ‘tripla ameaça’ de conflito, fome e cólera”, declarou.

A guerra deixou 19 milhões dos seus 28 milhões de pessoas com necessidades de ajuda humanitária e muitos deles à beira da fome.

Este surto de cólera é a segunda vaga de uma epidemia que começou em outubro, se espalhou até dezembro e depois diminuiu, mas nunca foi totalmente controlada.

A ONG Oxfam pediu um “cessar-fogo para a cólera” para permitir que os profissionais de saúde acabem com a propagação da doença, acrescentando que os números publicados provavelmente foram subestimados.

“O Iémen está à beira de um abismo” disse o responsável da Oxfam para o Iémen, Sajjad Mohammed Sajid, em comunicado. “A cólera é simples de tratar e de prevenir, mas enquanto a luta continua, a tarefa é duplamente difícil”.

A cólera é causada pela ingestão de bactérias a partir de água ou alimentos contaminados com fezes. Geralmente, manifesta-se com diarreia aguda repentina e pode matar em horas, embora três quartos das pessoas infectadas não apresentem sintomas.

O curto período de incubação significa que os focos podem se espalhar rapidamente, especialmente em locais sem água potável ou saneamento.

“Os trabalhadores de saúde e saneamento foram pagos apenas para oito meses, apenas 30% dos suprimentos médicos necessários chegam ao país, a coleta de lixo nas cidades é irregular e mais de oito milhões de pessoas não têm acesso a água potável e saneamento adequado”, acrescentou o relatório da ONU.

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