Crise | Médio Oriente

Líderes do Iémen do Sul desafiam governo com Conselho local

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Ex-autoridades iemenitas criaram esta quinta-feira um órgão autónomo para administrar a zona sul do país, num desafio aberto ao governo do presidente Abedrabbo Mansour Hadi.

Aidarous al-Zoubeidi, o governador recentemente demitido da província de Aden, disse que o Conselho de Transição Sul “administrará as províncias do sul e as representará nacional e internacionalmente”.

O movimento foi um novo golpe para os esforços de Hadi em conservar unida uma coligação para combater os rebeldes xiitas Huthis que controlam a capital, Sanaa, e grande parte da costa norte e do Mar Vermelho.

Hadi, que é apoiado por uma coligação militar liderada pela Arábia Saudita, conta com o apoio de milícias recrutadas no sul, onde o sentimento separatista é profundo. Esse fato muitas vezes dificultou o equilíbrio com os seus outros apoiantes – sunitas e unidades do exército lealista do norte.

Hadi demitiu Zoubeidi a 27 de abril, juntamente com o ministro Hani bin Breik, uma ação que demonstrou divisões entre os seus apoiantes.

Os dois homens, que desempenharam papéis importantes no restabelecimento da segurança em Aden e nas províncias vizinhas depois de os rebeldes terem sido expulsos em 2015, são suspeitos de estarem próximos dos ativistas pela independência do sul.

Milhares de iémenitas do sul manifestaram-se contra as demissões, em Aden, cidade natal de Hadi, onde o seu governo está sedeado, e instaram Zoubeidi a criar um novo corpo de liderança para representar o sul.

O novo conselho é composto por 26 membros, incluindo os governadores de cinco províncias do sul e dois ministros do governo.

O governo de Hadi ainda não reagiu ao anúncio da criação do Conselho.

O Iémen do Sul foi um estado independente até 1990, quando foi unificado com o Iémen do Norte e Ali Abdullah Saleh eleito presidente. Quatro anos mais tarde, surgiu uma revolta separatista que culminou na sua ocupação por forças do norte.

O ressentimento contínuo aumenta os desafios enfrentados por Hadi, cujos rivais Huthi são apoiados pelo Irão e forças leais ao seu predecessor Saleh.

Os militantes da Al-Qaeda também exploraram o caos para consolidar sua presença no sul e no leste.

As Nações Unidas estimam que o conflito no Iémen matou mais de 7.700 pessoas desde que a coligação saudita interveio contra os huthis em 2015. Dois terços da população do país estão agora à beira da fome, segundo a organização.

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