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Aumento da violência impede ajuda humanitária no norte do Mali

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A escalada da violência das milícias e o aumento dos ataques aos trabalhadores humanitários no norte do Mali estão a restringir a entrega de alimentos e cuidados de saúde a milhões de pessoas, alertaram as agências humanitárias na segunda-feira, citadas pela Reuters.

O exército do Mali, as forças de paz das Nações Unidas e os grupos humanitários são regularmente alvo de combatentes do deserto, que se reagruparam desde uma operação militar liderada pelos franceses em 2013 para expulsá-los das cidades do norte da África Ocidental.

Pelo menos 100 soldados da paz morreram nos últimos meses, tornando-se a missão mais mortal da ONU até a data, enquanto o número de ataques contra trabalhadores humanitários e seus compostos aumentou este ano.

As operações de auxílio foram interrompidas cerca de 70 vezes desde o início do ano – com agências atingidas por raptos, assaltos, roubos e invasões – superando um total de 68 incidentes em 2016, de acordo com o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Segundo Ute Kollies, chefe da OCHA no Mali, os trabalhadores humanitários são vítimas de violência por possuírem dinheiro, rádios, carros e outros equipamentos. “A insegurança tem um impacto crescente nas operações de ajuda. Estamos preocupados com a deterioração”, declarou o responsável.

Pelo menos 3,7 milhões de pessoas no Mali precisarão de ajuda este ano, em comparação com 2,5 milhões em 2016, e mais de 600 mil pessoas precisam de alimentos com urgência, de acordo com dados da ONU.

O aumento dos ataques às agências humanitárias levou algumas organizações a suspenderem temporariamente as operações, como o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e Médicos Sem Fronteiras (MSF).

As tropas francesas e as forças de paz da ONU têm lutado para estabilizar o Mali, uma antiga colónia francesa, desde que a França interveio em 2013 para reter os jihadistas e os rebeldes tuareg aliados que tomaram o colntrolo do deserto norte do país em 2012.

A luta entre as fações rivais de Touareg intensificou-se nos últimos meses e ameaça inviabilizar um acordo de paz conseguido em 2015 destinado a acabar com anos de conflito e instabilidade no país.

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