Sociedade

Ambientalistas consideram “surreal” Portugal ter aprovado construção de armazém nuclear em Almaraz

almaraz

Portugal considera adequada e segura a construção de um armazém para resíduos na central nuclear de Almaraz, em Espanha, de acordo com o relatório do grupo de trabalho técnico relativo ao projeto, divulgado na quinta-feira em conferência de imprensa, na sede da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em Lisboa.

“Não se estimam impactos transfronteiriços significativos em situação normal de funcionamento do armazém nem em caso de acidentes severos”, sublinha o presidente da APA, Nuno Lacasta.

Reagindo à decisão do governo português, os ambientalistas denunciam  submissão a Espanha e uma decisão “surreal e inaceitável”.

“Não nos surpreende a decisão tomada, mas consideramos no mínimo surreal, depois de tudo o que o Governo disse acerca das premissas do projeto, aceitar a não existência de estudos de impactos transfronteiriços e considerar que está tudo bem e é tudo adequado. Parece-nos francamente inaceitável”, disse Carla Graça, da associação Zero, em declarações aos jornalistas.

Também a associação Quercus discorda “em absoluto com as conclusões do grupo de trabalho criado pelo Governo” e desafia o executivo português a defender de forma mais digna os interesses nacionais.

Para Nuno Sequeira, da Quercus, “continuam a existir riscos muito sérios na construção do armazenamento de resíduos nucleares junto à central de Almaraz” e esta obra “é apenas o pretexto do Governo espanhol para que se prolongue a licença de Almaraz depois de 2020”.

António Eloy, do Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), mostrou-se surpreendido, “Não estávamos à espera de uma posição de total submissão, de lavar os pés ao Governo espanhol em relação às várias ilegalidades que foram sendo cometidas e aos procedimentos errados que o ATI teve, desde o início”, realçou o ambientalista.

“Foi uma total submissão do Governo português e pensamos que tem a ver com as imposições que foram estabelecidas pela União Europeia e as compensações financeiras para as redes transeuropeias”.

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