Igor Lopes

Apesar da insegurança, turistas aprovam carnaval no Rio de Janeiro e deixam dinheiro na cidade

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O Rio de Janeiro é conhecido por ser a cidade maravilhosa, mas ultimamente, as notícias envolvendo problemas na segurança pública têm feito com que os turistas decidam não visitar a cidade com tanta regularidade, gerando prejuízos ao comércio local e também à rede hoteleira e aos profissionais de turismo. Este ano, por exemplo, o carnaval do Rio recebeu 1,1 milhão de turistas, número abaixo do habitual, que deixaram na cidade cerca de R$ 3 mil milhões. Para diminuir a publicidade negativa em torno da segurança pública, a Secretaria de Segurança do Rio montou um esquema especial nos principais pontos da cidade. Os resultados são classificados como satisfatórios e alguns turistas prometem retornar à cidade em breve.

Registos das autoridades locais apontam que a Polícia Militar (PM) atendeu 15.943 solicitações através do número de telefone 190 (equivalente ao 112 em Portugal). Foram presos ou apreendidos 298 suspeitos; 69 armas apreendidas. Das 298 prisões, 72 envolveram menores de idade apreendidos e 18 mandados de prisão. A PM recebeu um total de 2.154 chamadas para atender ocorrências de violência contra a mulher, o que representa 14% das chamadas no período.

A polícia coibiu também entorpecentes como Maconha – 3.301 Trouxinhas / 06 Tabletes/ 06 Cigarros/3.306 Gramas/ 01 Kg, Cocaína – 112 Papelotes/ 137 Sacolés / 6.051 Cápsulas/ 606 Gramas/ 01Kg, Crack – 250 pedras / 54,2 Gramas, Loló – 28 frascos, Ecstasy – 21 comprimidos, Haxixe – 42 Gramas. Houve ainda casos de perturbação do sossego e do trabalho alheio, com 1.923 chamadas, representando 12% do total dos accionamentos via 190 (112).

Em nota, a PM sublinhou que mobilizou um total de 11.937 policiais em todo o Estado do Rio para a Operação Carnaval 2017, além do policiamento regular. Nos arredores do Sambódromo, local de desfile de escolas de samba, e do Terreirão do Samba, onde há concertos voltados para a temática do samba, foram escalados 682 policiais militares de sexta-feira (24/02) a terça-feira (28/02). O policiamento a pé foi utilizado em locais de grande concentração de foliões, desfiles de escolas de samba e blocos populares. Por sua vez, o Regimento de Polícia Montada (RPMont) actuou no Sambódromo, Arcos da Lapa e Aterro do Flamengo.

O Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) contou com esquema especial para garantir o atendimento aos visitantes, actuando com policiais bilíngues nos principais pontos turísticos, rodoviária, aeroportos e Sambódromo. O Batalhão de Acções com Cães (BAC) esteve presente nos locais de maior concentração de pessoas, como, por exemplo, na Cinelândia, Parque Madureira e Central do Brasil.

O Grupamento Aeromóvel (GAM) utilizou aeronaves que sobrevoaram toda a cidade focalizando os eventos, com atenção especial para a zona da orla, Sambódromo e blocos de rua. O Batalhão de Polícia Choque (BPChq) actuou no Sambódromo, nas vias expressas, além de manter parte do efectivo aquartelado (em espera nos quarteis), assim como o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), para actuar em situações de emergéncia.

O Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) intensificou o patrulhamento nas rodovias estaduais, já os policiais do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) actuaram na Avenida Brasil, Linha Amarela e Linha Vermelha, importantes artérias da cidade.

O Comando de Polícia Ambiental (CPAm) reforçou o policiamento nos parques e áreas de preservação ambiental. O policiamento da Operação Praia foi mantido em toda a orla da capital (Zona Sul, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes).

O Centro Integrado de Comando Móvel (carro-comando) ficou baseado no Sambódromo. O carro recebeu imagens captadas em tempo real de toda a orla da zona sul, por meio de imagens captadas da aeronave do GAM, através de câmara termal, capaz de identificar armas de fogo. O Comando da Polícia Militar monitorou e coordenou o esquema de policiamento durante todos os dias do carnaval no Centro Integrado de Comando e Controlo (CICC), na Praça Onze. Todo esse esquema foi montado para garantir a segurança dos turistas e da população local.

Resultado aprovado

O Carnaval do Rio de Janeiro em 2017 foi marcado pela quebra de recordes e pela aceitação dos turistas. Pesquisa da Riotur, órgão da Prefeitura do Rio responsável pelo turismo, encomendada à Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), de 25 a 27 de Fevereiro, revelou que mais de 94% dos turistas estrangeiros voltariam à Cidade Maravilhosa. Destes, 17,4% pretendem retornar ainda este ano e 91,9% recomendariam a cidade.

Mas não foi apenas nos desfiles do Sambódromo que a principal festa carioca fez sucesso: os blocos de rua, capitaneados por Bola Preta, Favorita e Sargento Pimenta, levaram nada menos do que 5.982.700 foliões às ruas entre os meses de Fevereiro e Março. O recorde registado anteriormente era de 5,4 milhões de pessoas.

A ocupação média na rede de hotelaria da capital ficou em torno de 78%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro. O índice representa um incremento de 8,33% na semana do evento, confirmando a percepção do presidente Alfredo Lopes de que o mercado brasileiro, principal visitante neste Carnaval, costuma realizar as reservas em cima da hora. Os bairros de Copacabana e Leme alcançaram a liderança e marcaram 83% de ocupação, seguidos por Ipanema e Leblon, com 82%. A região da Barra e Recreio, que vinha se destacando como bairro mais procurado, ficou com 79%, enquanto o Centro, por último, registou 71%. Vale ressaltar que a capital ganhou cerca de 18 mil novos quartos nos últimos anos.

Por sua vez, a ocupação total de albergues e cama e cafés no carnaval foi de 85,9%, com um aumento de 20% de turistas brasileiros em relação aos dois últimos anos – os turistas nacionais representaram 60% das reservas. Outra característica deste ano foram as chamadas reservas last minute, feitas de última hora. Os dados são da Associação de Cama e Café e Albergues do Rio de Janeiro.

Em relação ao Porto do Rio (Píer Mauá), foram contabilizados aproximadamente 50 mil turistas em 14 navios. A maior parte das embarcações chegou no dia 26/02, totalizando sete transatlánticos atracados no Pier Mauá – somente neste dia houve uma movimentação de aproximadamente 35 mil turistas, entre passageiros e tripulantes.

As autoridades estudam agora continuar com as acções de repressão e combate ao crime na cidade para atrair cada vez mais visitantes e estimular os cidadãos locais a voltaram a explorar o que a cidade maravilhosa tem de melhor.

 

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