Luis Enrique Gil

Venezuela depois da votação de 16 de Julho

Venezuela

Os próximos 12 dias serão decisivos para o futuro da Venezuela. Muitas são as questões que se colocam sobre a situação atual. Uma delas é se os próximos dias determinarão os fatores de Poder Real que procuram expressão institucional na Assembleia Nacional Constituinte, a fim de conseguirem o controlo definitivo do destino republicano ou, por outro lado, a Revolução cederá perante a incessante opinião internacional, que clama por uma saída negociada do conflito nacional.

Depois de decorridos vários dias da consulta popular que mobilizou 7.535.259 eleitores, que responderam na sua maioria “Sim” à recusa de uma Assembleia Nacional Constituinte, e à agenda política proposta pela Assembleia Nacional para abordar a crise politica no país, alteraram-se os cenários políticos no plano interno mas também no contexto externo.

No que diz respeito aos protestos, só no dia 18 de Julho realizaram-se 51 ações de rua, denominados “trancazos”, na cidade de Caracas, número que chama a atenção pelo facto de que estas ações não foram convocadas pela MUD mas por diversos grupos da Sociedade Civil, que exigem maior celeridade e contundência neste tipo de ações, depois da consulta popular de Domingo.

A Mesa de Unidade Democrática (MUD) fixou uma agenda de atividades estabelecidas em um manifesto intitulado “el Pueblo dicidió” que se tornou público a 17 de Julho e que contempla os seguintes passos: a) na quarta-feira avança-se com a conformação de um Governo de Unidade Nacional; b) os 2020 Comités da Hora Zero que servirão de núcleos da organização popular para enfrentar o que denominam de “fraude Constituyente” e o restabelecimento da Ordem Constitucional vão ser estabelecidos e; c) se convocará todo o país para um “Paro Ciudadano Activo y Nacional” de 24 horas para quinta-feira, 20 de Julho.

O Governo dos Estados Unidos da América fixou uma posição contundente ao lançar uma advertência ao Presidente Nicolás Maduro, em que ameaça com a aplicação de sanções económicas “fortes e rápidas” contra a Venezuela se continuar com os planos de avançar com uma Assembleia Nacional Constituinte, cujo processo eleitoral está convocado para 30 de Julho.

Chama muito a atenção que nos dias anteriores à realização da consulta, o Presidente da Venezuela tenha assinado um convénio por 1300 milhões de dólares com a petrolífera norte-americana Horizontal Well Drilling, no Palácio de Miraflores. À primeira vista parece um contra-senso, se observarmos o comunicado anterior da Casa Branca. Porém, os países têm interesses de Estado, mas posições políticas agradáveis para o seu eleitorado que reclama uma posição dura sobre o tema da Venezuela, neste caso em concreto.

Enquanto tudo isto se desenrola, o processo Constituinte vai avançando sem problemas.

Considerando o índice de popularidade de Maduro que com base nas sondagens nacionais é de 20%, o resultado projetado é de cerca de 4 milhões de votos ou seja, cerca de metade dos votos que obteve o Presidente aquando da sua eleição.

Os próximos 12 dias servirão para a reflexão, com várias questões a marcar o futuro imediato do país como por exemplo, serão estes 4 milhões de votos suficientes para legitimar a ANC? E, em caso afirmativo, poderia a instalação de uma ANC apaziguar os ânimos de uma sociedade que reclama soluções efetivas no plano socioeconómico? Ou será que a crise atual e a pressão internacional conseguirão obrigar o Presidente a desativar a convocatória de uma ANC?

Comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo