Lusofonia | São Tomé e Príncipe

Mudança de paradigma na luta contra o paludismo em STP

REUNIÃO CNLCP

São Tomé e Príncipe está perante um novo e “grande desafio” na luta contra o paludismo. A mudança do paradigma vai passar do “controlo para a eliminação” da doença no país até 2025.

Uma estratégia com este objetivo está em fase de finalização. A Organização Mundial da Saúde recrutou um consultor para colaborar com os técnicos nacionais na elaboração do documento que deverá ser submetido ao Fundo Global para a mobilização de financiamento.

As autoridades a diversos níveis, técnicos da saúde, entre outros participantes, tiveram a possibilidade de conhecer “as orientações estratégicas necessárias para a mudança do paradigma do controlo à eliminação” com a apresentação feita pelo Professor Kamal Benzerroug.

Como disse a Representante da OMS, “São Tomé e Príncipe deve agora preparar-se para reorientar o seu programa para a pré – eliminação e eliminação, cujo objetivo passa a ser o de reduzir a zero os focos de transmissão e os reservatórios de parasitas. O reforço da vigilância passa a ser a intervenção principal, com recurso a deteção ativa dos casos, a notificação imediata, ao reforço da investigação, ao mapeamento de todos os casos positivos que passam a ser georreferenciados”. A Dr.ª Rosa Maria da Silva falava no encontro para reativar a Comissão Nacional de Luta contra o Paludismo (CNLCP), presidida pelo chefe de Estado.

«A nova abordagem deve ser adotada em relação às intervenções de controlo vetorial, colocando uma maior atenção nos focos ativos, no reforço da vigilância entomológica e na preparação para a luta contra as epidemias. O programa deve ser totalmente eficaz e com capacidade de agir rapidamente. O reforço das capacidades para a gestão descentralizada por distritos para planejar, executar e acompanhar as atividades são igualmente estratégias a serem adotadas», acrescentou.

A representante da OMS chamou ainda a atenção que “as lições aprendidas na longa experiência vivida por São Tomé e Príncipe, na luta contra o paludismo, devem levar a todos a uma profunda reflexão e a mobilização de todos os atores, de modo a melhor preparar-se para este grande desafio. Para tal, um forte engajamento político e maiores investimentos são necessários”.

Na abertura da sessão, o Presidente da República defendeu que “a eliminação do paludismo é, sem dúvidas, a condição essencial para o desenvolvimento nacional e constitui uma vertente importante na luta contra a pobreza”.

«O total compromisso de todos, governantes, técnicos, incluindo a população, é a condição primária para o bom êxito do processo da nova era de Eliminação do Paludismo em São Tomé e Príncipe», sublinhou Evaristo Carvalho.

Criada em dezembro de 2003, a Comissão Nacional de Luta contra o Paludismo esteve inoperante ao longo dos anos. Ela congrega representantes de instituições do Estado, ONG’s, congregações religiosas, setor privado, sociedade civil, as Forças Armadas, pessoas singulares e coletivas.

Durante a sessão foi feito um breve historial da luta contra o paludismo e a abordagem geral sobre a CNLCP.

As intervenções dos participantes sublinharam, entre outros aspetos, a necessidade de rever a legislação que criou a Comissão, garantir a sua operacionalidade, nomeadamente a nível local; bem como promover intensas e massivas campanhas de sensibilização e mobilização dos cidadãos para se engajarem no processo. Foi feito também um apelo para que a comunidade internacional não abandone São Tomé e Príncipe nesta fase, na medida em que a tendência é reduzir a participação à medida que os resultados do esforço sejam positivos.

O Presidente da República manifestou-se disponível em ser um impulsionador do dinamismo da CNLCP. Espera-se que Evaristo Carvalho marque para breve uma nova reunião para tratar dessas questões, incluindo a nova estratégia com vista à eliminação do paludismo que deverá ser submetida no próximo mês de maio ao Fundo Global.

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