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Cimeira sobre liderança vai reunir organizações lusófonas em setembro de forma digital

No próximo mês de setembro a Internet vai ajudar a conectar os países da lusofonia em torno do tema da Liderança. A ideia é reunir, no âmbito da Cimeira Lusófona de Liderança, líderes organizacionais e da sociedade civil de países da lusofonia com o intuito de trabalhar ações estratégicas, partilhar ideias e casos de sucesso nas formas de liderar capazes de auxiliar no desenvolvimento dessas nações. Para alcançar essa meta, serão discutidas as lideranças nas organizações, nos jovens e no feminino. O evento estava previsto para ser realizado presencialmente em Moçambique, mas a pandemia de covid-19 levou essa iniciativa para o ambiente on-line.

Para conhecer melhor esse projeto, conversamos com Anabela Chastre, presidente da Cimeira Lusófona de Liderança, que destacou as motivações desse movimento e os seus objetivos centrais, realçou os nomes envolvidos na conceção da Cimeira, sublinhou o trabalho dos profissionais lusófonos durante esta pandemia e explicou como as organizações devem atuar num mundo “pós-coronavírus”.

Por Ígor Lopes

 

Na prática, o que é a Cimeira Lusófona de Liderança (CLL)?

A Cimeira Lusófona de Liderança é um projeto cujo objetivo passa por reunir líderes organizacionais e da sociedade civil da lusofonia e desafiá-los a pensar e a desenvolver ações que incidam em três grandes eixos de atuação: Liderança nas Organizações; Liderança nos Jovens e Liderança no Feminino. O evento estava inicialmente pensado para ser realizado presencialmente em Maputo, capital de Moçambique, este ano e todos os anos numa das capitais da lusofonia. Contudo, dadas as circunstâncias da pandemia em março deste ano, levou-nos a transformar o evento para “Live streaming”. Acreditamos que o formato não será impedimento para levarmos o nosso propósito adiante. Pelo contrário, acreditamos que o formato digital ainda o vai fazer chegar mais longe e à mais pessoas.

 

Quais são os objetivos do evento?

O objetivo principal é criar um alinhamento da “Liderança na Lusofonia”, com ações estratégicas que levem ao desenvolvimento dos países da lusofonia. Acreditamos no poder da lusofonia e na capacidade de criarmos algo grande em conjunto e com um propósito maior que fique como legado para as futuras gerações. Acreditamos que estamos a dar um passo gigante nesta visão de agregar os países da lusofonia.

 

Qual é o público-alvo do projeto?

Nesta fase do projeto, o público-alvo são falantes de Língua Portuguesa, mas a nossa visão agregadora não coloca ninguém de parte, pelo contrário.

 

Como surgiu essa iniciativa?

Esta iniciativa surgiu da vontade de colocar os países da lusofonia a comunicarem entre si, a partilharem ideias, sugestões e casos de sucesso nas suas formas de liderar para poderem ajudar outros países a se desenvolverem também. Acreditamos que juntos podemos fazer a diferença que queremos ver na lusofonia.

 

Que temas pretendem explorar?

Estratégia, comunicação, talento, mudança, propósito, criatividade, tudo que for ligado ao tema da Liderança nos três eixos principais.

 

Quem participou na “criação” dessa iniciativa?

Esta iniciativa nasceu numa conversa muito interessante entre mim e a Marlene de Sousa no final de 2019. A Marlene é CEO da Attitude e a Fundadora do Fórum RH Moçambique, Fórum RH Angola e Fórum RH Cabo Verde. A minha experiência e paixão na área da liderança juntaram-se à sua experiência na organização de eventos na lusofonia e iniciámos o projeto em janeiro de 2020. Em fevereiro, assinámos os memorandos de entendimento com os parceiros em Moçambique e lançamos oficialmente o projeto nas rádios e televisões locais. Em abril, o Pedro Ramos, diretor de RH da TAP, e o Paulo Corrêa de Souza, CEO da Keeptalent no Brasil, juntaram-se ao projeto e trouxeram mais ideias e sugestões.

 

Que nomes estão ligados ao projeto?

Neste momento, temos cerca 20 CEOs de Organizações da Lusofonia e temos também representantes da Liderança Feminina e Jovens Líderes.

 

Como avalia o tema da Liderança nas empresas tendo em vista o contexto de pandemia que vivemos hoje?

As mudanças que vivemos nos últimos tempos vieram acentuar a importância que a liderança tem nas organizações. A transformação digital que foi necessária fazer para colocar as pessoas em teletrabalho veio trazer aos líderes um desafio gigante. Liderar à distância, comunicação on-line, motivação e produtividade com novos contornos, novas processos de colaboração, novas formas de decisão vieram mostrar quais líderes estavam preparados para a mudança e quais não estavam. Um estudo efetuado pelo “MIT Sloan Management” e a “Cognizant” em 2019, realizado a cerca 4.400 líderes de 120 países, já concluía que os executivos não tinham o que era preciso para vencer e liderar na economia digital. Digitalização, velocidade, agilidade e uma força de trabalho cada vez mais diversificada exigia mais dos líderes do que a maioria pode oferecer. À realidade global aqui representada, junta-se a falta de meios tecnológicos que alguns países da lusofonia ainda lutam para ter, o que não ajuda.

 

De que forma essa paralisação mundial poderá afetar as companhias e os seus funcionários e colaboradores?

No meio desta crise sanitária, podemos ver a rapidez com que a maioria dos países da lusofonia agiram e colocaram os seus colaboradores em teletrabalho. Na realidade, em Portugal as empresas não paralisaram, mas reduziram fortemente a sua atividade, algumas empresas adaptaram o seu negócio para dar resposta às necessidades do momento, mas os líderes avançaram e estiveram na linha da frente das suas empresas para prestar todos os cuidados necessários aos seus colaboradores que estavam bem de saúde, seguros e a trabalharem. O que se revelou motivador para os colaboradores, pois não perderam o contato com a empresa, mas apenas se adaptaram à mudança requerida pelo momento.

 

Na sua opinião, como os países lusófonos deverão reagir no momento da retomada das atividades? Quais serão as prioridades?

As prioridades deverão ser sempre a saúde e a segurança dos colaboradores, depois, passarão certamente por adaptar a atividade à nova normalidade, reorganizando processos, criando plataformas de comunicação digitais com os colaboradores e clientes e, tão ou mais importante, capacitar os líderes com novas competências de liderança, através de programas de formação e “coaching” de liderança.

 

No seio da cultura lusófona, que países mantêm maior proximidade em termos de atuação nas áreas de RH e Liderança?

Acredito que estamos todos muito alinhados naquilo que queremos alcançar e para onde gostávamos de ver as áreas de RH e Liderança caminharem. Contudo, também sabemos as nossas limitações e o avanço em termos de mentalidade do que precisamos fazer se queremos lá chegar. Há um caminho longo que, com os novos desafios, terá de ser percorrido com maior velocidade.

 

Já existem datas para a realização da Cimeira?

A Cimeira Lusófona de Liderança irá decorrer em “Live Streaming” em setembro deste ano, mas, em 2021, queremos voltar a pensar fazê-la presencialmente numa cidade da lusofonia.

 

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