Pouco mais de sete horas de voo distanciam as cidades de Lisboa e Fortaleza, no Brasil. Esse destino no Nordeste brasileiro é conhecido dos turistas portugueses pelas paisagens exuberantes e pelas praias que se estendem por quilómetros. Além de um bom local para uma escapadela rápida e também por ser muito procurado para férias mais longas, Fortaleza assume, agora, uma nova importância no cenário médico do outro lado do Atlântico.
Com sede na capital cearense, uma clínica médica brasileira, que tem as suas atividades voltadas para o ramo da fertilidade, está a promover ações com o intuito de atrair famílias portuguesas que necessitam de tratamentos de fecundação. Em solo brasileiro, a empresa pretende posicionar-se “como uma alternativa credível” para o público português que procura esse tipo de tratamento em outros destinos fora de Portugal, como Espanha e EUA. Hoje, a clínica já atende pacientes de Cabo Verde.
Segundo Daniel Diógenes, diretor técnico da Fertibaby Ceará, a aproximação com o público português está a decorrer “de forma natural”, por meio da oferta de tratamentos de “qualidade” com custos associados a “ótimos resultados”.
Este profissional explica que, “assim como as melhores clínicas e laboratórios do mundo, temos toda a experiência e tecnologias necessárias para realizar um tratamento atual e moderno, com o objetivo de se atingirem taxas de gestação similares aos laboratórios dos países desenvolvidos”.
Pacientes portugueses
Dados disponibilizados pela empresa, dão conta de que, aspetos como “custo, distância, qualidade do tratamento e resultados” devem ser levados em consideração quando uma família portuguesa estiver a estudar a possibilidade de realizar o tratamento no Ceará.
Para realizar os procedimentos em Fortaleza, “o tempo necessário de permanência nessa cidade brasileira será de 12 a 20 dias. Nesse sentido, serão necessárias cerca de duas visitas ao Brasil, mas tudo depende do protocolo utilizado. Em relação aos exames médicos e de avaliação, alguns deverão ser feitos em Portugal, outros, no Brasil, o que será avaliado pela equipa médica. Após os procedimentos, as pacientes poderão retomar o tratamento em Portugal com a sua ginecologista ou obstetra habitual”.
Procedimentos
Lilian Serio, diretora clínica dessa unidade médica, comenta que, no caso da fecundação, “o tempo é fundamental”, já que, “postergar a gravidez para depois dos 35 anos de idade da mulher pode representar um grande problema”.
“A Fecundação in Vitro (FIV) é a técnica mais utilizada no mundo, e também a mais eficiente, mas é possível realizar tratamentos mais simples antes, desde que não se perca muito tempo com tratamentos menos efetivos. A idade mínima para que a mulher faça o tratamento não pode ser determinada, já a máxima depende do tipo de tratamento que será feito. Um limite aceite está entre os 50-55 anos, e a mínima, acima de 18-20 anos”, confirmou Serio, que é especialista em Ginecologia e Obstetrícia e em Medicina Reprodutiva, Endocrinologia Ginecológica e Endoscopia Ginecológica.
Investimento
No caso concreto dessa unidade médica no Brasil, em média, os custos dos tratamentos giram em torno de 13 a 15 mil reais, cerca de 2.800 a 3.200 euros, respetivamente. No projeto de baixo custo, quando há doação de óvulos por parte da paciente, o cliente pode pagar de 4.500 a 7 mil reais, cerca de 970 a 1.500 euros, respetivamente.
“O valor do investimento para o público estrangeiro é o mesmo que é praticado para os brasileiros”, garante Diógenes.
Experiência
“Temos tecnologia e experiência de nível internacional. Contamos com altas taxas de sucesso, estamos localizados numa cidade turística e, sobretudo, temos os custos bem mais acessíveis do que em Portugal. O que propomos é um tratamento de qualidade comparado à Europa e aos EUA, mas com custo menor por estarmos no Brasil. Além disso, garantimos toda a manutenção dos aspetos éticos e o cumprimento da lei do Brasil”, finalizou Daniel Diógenes, que é membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), da Sociedade Europeia de Embriologia e Reprodução Humana (ESHRE) e da Sociedade Cearense de Ginecologia e Obstetrícia da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
A Fecundação in Vitro (FIV) é considerada o tratamento mais avançado para a infertilidade existente no mundo. Consiste na união do óvulo com o espermatozoide (fecundação) fora do corpo (in vitro). A ideia é unir óvulos e espermatozoides de forma mecânica em laboratório, fora do corpo humano. Esse processo pode ser realizado por meio da colocação do espermatozoide dentro do óvulo (microinjeção intracitoplasmática de espermatozoides – ICSI, pelas suas siglas em inglês) ou pela FIV tradicional (um óvulo é colocado no mesmo ambiente com vários espermatozoides e um desses fecunda o óvulo no laboratório).
Ígor Lopes