Ciência | Medicina, Saúde e Alimentação

Autoaversão e autocompaixão são mecanismos centrais no desenvolvimento de perturbação bordeline da personalidade

Uma equipa da Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver um estudo, o primeiro em Portugal focado na adolescência, que visa a deteção precoce da perturbação borderline da personalidade (PBP) e a identificação dos fatores de risco e protetores que permitam construir programas de intervenção eficazes para combater a doença.

A perturbação borderline da personalidade é uma perturbação grave associada a elevada tendência suicida. Estima-se que 2 a 6% da população mundial padeça desta perturbação marcada por uma intensa instabilidade emocional, impulsividade e autodano.

Os primeiros resultados do estudo, que envolveu 1007 adolescentes com uma média de idades de 15.3 anos, e pais, sugerem que, em média, as raparigas adolescentes apresentam traços borderline mais elevados do que os rapazes.

Verificou-se também que, independentemente do sexo, a autoaevrsão e a autocompaixão assumem um papel importante na evolução da sintomatologia borderline na adolescência, mostrando assim que são variáveis essenciais a considerar na compreensão dos traços borderline nesta faixa etária.

Outra das conclusões do estudo indica que há diferenças entre raparigas e rapazes no que respeita a comportamentos autolesivos. As raparigas tendem a usar mais métodos de cortes superficiais de determinadas áreas do corpo (por exemplo, braços, pulsos), enquanto os comportamentos autolesivos dos rapazes tendem a relacionar-se mais com bater neles próprios (por exemplo, darem murros).

Ao nível da impulsividade, não foram encontradas diferenças globais entre os sexos, porém os rapazes parecem ter maior dificuldade em controlar comportamentos relacionados com o consumo de álcool e drogas.

Segundo Diogo Carreiras, investigador principal do estudo, os resultados desta investigação podem ser fundamentais para desenvolver programas dirigidos a esta população de risco.

© e-Global Notícias em Português
Comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo