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OMS, UNICEF e Lancet alertam para ameaças à saúde e ao futuro de crianças e adolescentes em todo o mundo

A Organização Mundial da Saúde (OMS), pela UNICEF e pelo The Lancet divulgaram um relatório que revela que nenhum país está a proteger adequadamente a saúde das crianças, o ambiente e o seu futuro. Portugal não é excepção estando em 129º lugar no ranking de sustentabilidade, com 96% de emissões de CO2 em excesso face aos objetivos traçados para 2030.

A Comissão, composta por mais de 40 especialistas em saúde de crianças e adolescentes de todo o mundo organizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pela UNICEF e pelo The Lancet, afirma que a saúde e o futuro de crianças e adolescentes em todo o mundo está sob ameaça com a degradação ecológica, as alterações climáticas e as práticas de marketing prejudiciais que promovem comidas processadas, bebidas açucaradas, álcool e tabaco.

O relatório inclui um novo índice global de 180 países, que compara indicadores de sobrevivência e bem-estar infantil, como saúde, educação e nutrição, sustentabilidade, com emissões de gases de efeito estufa, equidade, ou diferenças de rendimentos.

Segundo o relatório, enquanto os países mais pobres precisam de fazer mais para apoiar a capacidade das suas crianças viverem vidas saudáveis, as emissões excessivas de carbono – emitidas desproporcionalmente pelos países mais ricos – ameaçam o futuro de todas as crianças. Se o aquecimento global exceder os 4 ° C até ao ano de 2100, de acordo com as projeções actuais, poderá trazer consequências devastadoras para a saúde das crianças, devido a ondas de calor extremo, proliferação de doenças como a malária e o dengue, e a subnutrição.

O índice demonstra que as crianças na Noruega, na Coreia do Sul e na Holanda têm maior probabilidade de sobrevivência e bem-estar, enquanto crianças na República Centro-Africana, Chade, Somália, Níger e Mali enfrentam os piores cenários. No entanto, se tivermos em conta as emissões de CO2 per capita, a situação muda completamente de figura para estes países: a Noruega fica em 156, a República da Coreia em 166 e a Holanda em 160. Cada um dos três emite 210% mais CO2 per capita do que o seu objetivo para 2030. Os Estados Unidos da América (EUA), a Austrália e a Arábia Saudita estão entre os dez piores emissores.

Portugal em 129/180 no Ranking da Sustentabilidade

Apesar de estar nos 30 melhores países no que diz respeito ao ranking de Desenvolvimento e Bem-estar Infantil, Portugal aparece em 129º lugar no ranking de Sustentabilidade com 96% de emissões de CO2 em excesso face aos objetivos definidos para 2030 no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“Este ranking é preocupante na medida em que Portugal ainda está muito longe de cumprir os objectivos a que se propôs para 2030. Para o conseguirmos é fundamental que o Estado Português crie uma entidade supraministerial que coordene e adopte políticas que tenham em consideração todas as dimensões do bem-estar da criança. É importante sensibilizar o sector público e privado para este tema que tem graves consequências para o nosso futuro e em particular o das nossas crianças”. disse Beatriz Imperatori, Directora Executiva da UNICEF Portugal.

Os únicos países no caminho certo para atingirem as metas de emissões de CO2 per capita até 2030, além de apresentarem um desempenho razoável (entre os 70 primeiros) em medidas de Desenvolvimento e Bem-estar Infantil, são: Albânia, Arménia, Granada, Jordânia, Moldávia, Sri Lanka, Tunísia, Uruguai e Vietname.

O impacto do Marketing Comercial prejudicial nas crianças de todo o mundo

O relatório também destaca uma ameaça concreta às crianças causada pelo marketing comercial. Dados sugerem que as crianças, em alguns países, veem 30000 anúncios em televisão num único ano, e a exposição dos jovens a anúncios de cigarros eletrónicos aumentou mais de 250% nos EUA em dois anos, atingindo mais de 24 milhões jovens.

A exposição das crianças ao marketing comercial de junk-food e bebidas açucaradas está associada à compra de alimentos não saudáveis, excesso de peso e obesidade, havendo uma ligação deste tipo de marketing ao aumento alarmante da obesidade infantil. O número de crianças e adolescentes obesos aumentou de 11 milhões em 1975 para 124 milhões em 2016 – um aumento de 11 vezes, com custos individuais e sociais enormes.

Um manifesto para acção imediata na saúde das crianças e adolescentes

Para proteger as crianças, os autores da Comissão apelam a um novo movimento global pelas crianças. Recomendações específicas incluem interromper as emissões de CO2; pôr crianças e adolescentes no centro dos nossos esforços para alcançar o desenvolvimento sustentável, criando um mecanismo ao nível do governo para coordenar o trabalho das várias áreas com impacto na criança; incorporar as vozes das crianças nas decisões políticas; garantir regulação nacional mais apertada no que diz respeito a práticas de marketing comercial prejudiciais, apoiadas por um novo protocolo opcional da Convenção sobre os Direitos da Crianças, das Nações Unidas.

“Da crise climática à poluição, da obesidade às práticas de marketing comercial prejudiciais, as crianças em todo o mundo enfrentam hoje ameaças que eram impensáveis há apenas algumas gerações atrás”, afirma Henrietta Fore, Directora Executiva da UNICEF. “Está na hora de repensar a saúde infantil, e tornar as crianças uma prioridade na agenda de desenvolvimento de todos os governos, pondo o seu bem-estar acima de todas as considerações.”

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