Ciência

Onda de calor coloca em risco a existência de um dos animais mais inteligentes do mundo

“Os fenómenos meteorológicos extremos podem ser demasiadamente prejudiciais […] o que gera um impacto negativo a nível de população marinha”, concluiu Simon Allen, pesquisador associado da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, num artigo publicado na revista científica Current Biology .

Simon Allen faz parte de um grupo de cientistas que estudou os impactos da onda de calor marinha que, no início de 2011, produziu uma massa de água quente que elevou as temperaturas das costas ocidentais da Austrália em quatro graus centígrados acima da média.

Com base no estudo, os cientistas alertaram que, devido a essa onda de calor, a taxa de natalidade e sobrevivência do golfinho do Indo-Pacífico na baía de Shark, na costa oeste da Austrália, foi reduzida, o que, a longo prazo, poderia colocar em risco a existência nessa região de um dos animais mais inteligentes do mundo. O número destes cetáceos diminuiu em 12%, verificando-se que a quantidade de crias por fêmea também foi reduzida.

Enfatizando que as ondas de calor estão geralmente relacionadas com a mudança climática, Allen afirmou que o futuro do “ecossistema em geral” está em risco a longo prazo.

O mesmo estudo, através da análise de informações demográficas de mais de 5.000 exemplares deste tipo de golfinho entre 2007 e 2017, permitiu aos pesquisadores especificaram que a diminuição da espécie causada pela onda de calor afetou diretamente a alimentação das crias do golfinho do Indo-Pacífico, expondo-as aos predadores, já que os seus progenitores ficavam mais tempo longe em busca de alimentos, o que contribuiu para o aumento da mortalidade das crias deste animal.

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