Augusto Santos Silva acompanhou inauguração de nova Cátedra do Instituto Camões em Genebra

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, esteve no último dia 15 de setembro em Genebra, Suíça, onde participou na abertura do Colóquio Internacional “O poder da imagem na obra de Lídia Jorge”, na Universidade de Genebra, evento que assinalou a inauguração da cátedra do Camões, I.P. “Lídia Jorge”.

Durante a sua passagem por este país europeu, Augusto Santos Silva visitou o CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), onde manteve encontros com funcionários portugueses do CERN e membros da Associação dos Graduados Portugueses na Suíça (AGRAPS).

Conversamos com este ministro, que falou sobre a sua visita à Suíça, sublinhou a importância da comunidade portuguesa naquele país, reforçou o papel da nova cátedra inaugurada e o ensino da língua portuguesa.

Que avaliação faz sobre a sua visita a Suíça?

Foi uma visita muito importante. Permitiu valorizar a inauguração de uma nova cátedra portuguesa nesse país, agora na Universidade de Genebra, e o colóquio sobre a obra de Lídia Jorge que iniciou as respetivas atividades. Foi também possível realizar contatos importantes ao nível da OIM, OIT, OMS e UNFPA, através dos altos funcionários portugueses colocados nessas organizações. Finalmente, houve a oportunidade de contatar com os portugueses que trabalham no CERN, assim como realizar uma reunião com a direção deste Centro.

Como vê a realização do Colóquio internacional “O poder da imagem na obra de Lídia Jorge”, na Universidade de Genebra e qual é a importância da inauguração da cátedra do Camões, I.P. “Lídia Jorge”?

Na minha opinião, realizar um colóquio internacional sobre a obra da pessoa que se escolheu como patrona de uma cátedra é a melhor maneira de iniciar as atividades desta. O colóquio permitiu reunir especialistas dessa obra e constituiu um momento importante da sua divulgação na Suíça. As autoridades portuguesas que estiveram presentes, para além de mim, foram o presidente do Instituto Camões e o embaixador e o cônsul-geral de Portugal. Estiveram também representadas várias universidades portuguesas.

Que desafios existem no ensino da língua portuguesa na Suíça?

São dois desafios principais: o primeiro consiste em continuar a consolidar a oferta do ensino de português ao nível básico e secundário. O segundo desafio é continuar a expandir a presença da língua, da literatura e da cultura portuguesas no ensino superior, através de cátedras e de protocolos de cooperação com departamentos universitários, de modo a garantir a investigação e o ensino em estudos portugueses.

Em que consistiu a sua passagem pelo CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear)?

A visita ao CERN foi, em primeiro lugar, importante porque permitiu reunir, ao mais alto nível, com a direção do Centro, a qual agradeceu o empenhamento de Portugal nos vários projetos que aí decorrem. Foi também uma oportunidade de valorizar, pelo próprio CERN, o papel dos portugueses que ali trabalham, seja ao nível de direção, seja ao nível técnico. Permitiu, por fim, conhecer vários dos nossos compatriotas que aí trabalham, ouvi-los e sensibilizá-los para a causa de fortalecer a associação de pós-graduados portugueses na Suíça, que já existe, e que agora precisa de ser robustecida.

Que conversações foram mantidas com os membros da Associação dos Graduados Portugueses na Suíça (AGRAPS)? E qual é a importância desta entidade no seio da comunidade portuguesa naquele país?

Quanto à AGRAPS, chamo a atenção de que se trata de mais um “braço” de uma rede que felizmente se vai expandindo, contando hoje com associações nos EUA e Canadá, no Reino Unido, na França, na Alemanha, nos países do Benelux, na Australásia e Pacífico, nos países Nórdicos, para além da Suíça.

Como caracteriza a comunidade portuguesa na Suíça?

A comunidade portuguesa na Suíça é numerosa, está bem integrada e contribui sobremaneira para a economia e o tecido social daquele país. É uma comunidade com ligações profundas a Portugal, como o atesta as suas realizações culturais, o seu associativismo e a maneira muito calorosa como sempre recebe os responsáveis portugueses.

Que mensagem deixa para o Embaixador de Portugal na Suíça que está a cessar funções?

O Embaixador Ricoca Freire é um dos melhores diplomatas portugueses, com uma longa carreira ao serviço de Portugal. O Ministério dos Negócios Estrangeiros deve-lhe muito. Pessoalmente, conto ainda com o seu apoio para tarefas futuras, agora que o limite de idade para o exercício de funções no exterior o faz regressar a Lisboa.

Por fim, que mensagem deixa para a comunidade portuguesa e lusodescendente na Suíça?

Que continue a ser o que é: gente de trabalho, que preza a família, a sua terra de origem, a sua cultura, o seu país. Ao mesmo tempo, uma comunidade que se integra bem e que contribui para a Suíça que agora os acolhe.

Ígor Lopes

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