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Autarca de Póvoa de Varzim “apela” à manutenção das tradições poveiras no Rio de Janeiro

(C) Alex Camelo
(C) Alex Camelo

A Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro celebrou 90 anos de fundação durante uma grande programação festiva no dia 12 de janeiro. O evento ficou marcado pela presença do presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Aires Pereira, e do Rancho Poveiro, vindo de Portugal para cumprir agenda de apresentações no Brasil.

Durante o evento, que recebeu autoridades e nomes de vulto da comunidade portuguesa no Brasil, Aires Pereira ressaltou que é preciso ajudar a manter vivas as tradições poveiras na cidade maravilhosa.

“É importante que dentro da disponibilidade de cada um ajudem a Casa dos Poveiros a continuar e a continuar a ser uma casa de encontro. É preciso que a ajuda venha de fora para dentro e nos juntemos todos à volta de quem vier a ter responsabilidades na direção e destinos desta Casa”, disse o autarca, que prometeu empenho no sentido de estar presente na cerimónia de tomada de posse do próximo presidente da Casa dos Poveiros do Rio como forma de estimular e apoiar “todos aqueles que dão um bocadinho de si e do seu tempo para a preservação deste espaço”.

 

História de sucesso

Segundo Renato Figueiredo, presidente da Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro, um dos momentos de maior destaque na história da fundação da entidade foi o “apoio dado aos imigrantes portugueses que aqui chegavam nas décadas de 1940, 50 e 60 a procura de um novo sonho de vida, ou fugindo da tirania do governo, e, até mesmo, do alistamento militar”.

O apoio da entidade foi fundamental nesse momento.

“Muitos deles sem a devida condição financeira de se fincar em terras brasileiras. A Casa, neste sentido, com pioneirismo, acolheu, prestou assistência médica e financeira com ajuda de custo para muitos desses irmãos”, contou Renato, que garantiu que a instituição que preside foi “fundada pelo amor dos poveiros que chegaram ao Rio e sentiam falta das suas tradições e costumes poveiros”.

“Esses imigrantes queriam, aqui no Brasil, algum lugar no qual pudessem reviver as suas memórias e compartilhar o amor pela Póvoa de Varzim”, reforçou este responsável.

 

Possibilidades poveiras no Rio

Atualmente, a Casa dos Poveiros do Rio disponibiliza para os seus associados um parque aquático para lazer e a prática de desportos aquáticos, uma quadra polidesportiva para recreação como futsal, vôlei, badminton, desporto de contato como judo, além de atividades culturais como as festas tradicionais da Póvoa de Varzim e as danças e cantares do Rancho Folclórico Eça de Queirós. Serviços sociais são também oferecidos, em formato de parceria, para a comunidade portuguesa.

“No nosso Solar, realizamos festas tradicionais poveiras, como, por exemplo, Páscoa, Dia de São Pedro, de Nossa Sra. da Assunção, além, claro, de atividades do Rancho Folclórico Eça de Queirós, que divulga no Brasil o folclore da Póvoa”, realçou Renato, que revelou que, apesar de todas as dificuldades, e a exemplo de outras casas portuguesas no Rio, a Casa dos Poveiros sobrevive por meio da “realização de atividades comerciais como o aluguer de espaços para festas e prática de desporto, além de eventos de cunho cultural”.

“A Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro tem no seu ADN o pioneirismo frente à comunidade lusodescendente. Podemos dizer que a Casa se caracteriza por ser o berço do folclore no Rio de Janeiro e no Brasil, pois era nessa entidade que a comunidade portuguesa se reunia nas décadas passadas. Muitas outras casas foram idealizadas dentro da Casa dos Poveiros, assim como ranchos folclóricos foram criados fruto da inspiração do rancho da nossa Casa. A Casa dos Poveiros foi também responsável pela formação de muitas famílias na nossa comunidade, pois nas festas muitos casais se conheciam”, recordou Renato, que disse acreditar que, com uma dose de renovação, a entidade terá ainda muitos anos pela frente.

 

Celebração

Ainda no dia 11 de janeiro, o programa comemorativo dos 90 anos de fundação da Casa foi composto por uma celebração eucarística na Igreja de Santo António dos Pobres, no Centro da cidade, seguida de uma sessão de boas-vindas no Salão Nobre da Casa com a presença do cônsul-geral de Portugal no Rio, Jaime Leitão, dentre outras autoridades.

 

Homenagens

A cerimónia do dia 12 ficou marcada também pela homenagem ao ex-presidente da Casa, Carlos César Santos, conhecido como “Carlinhos”, falecido em 2018. Carlos Santos presidiu a instituição de 2013 a 2018, período no qual aconteceram importantes obras de requalificação na Casa.

 

Fundação

A Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro foi fundada em 8 de janeiro de 1930. Já o Rancho Folclórico Eça de Queirós foi fundado em outubro de 1952 com o nome de Rancho Folclórico da Casa dos Poveiros. Os personagens inspiradores do rancho são o “Cego de Maio” e o escritor Eça de Queirós.

A entidade, cuja sede está localizada no tradicional bairro da Tijuca, Zona Norte carioca, é conhecida por “fortalecer o amor pela Póvoa de Varzim, fazendo deste espaço um pedacinho de Portugal em terras cariocas”.

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