Cultura

Comunidade transgénero do Mindelo é tema de exposição em Bruxelas

© Pauliana Valente Pimentel / “Quel Pedra”

A exposição fotográfica “Quel Pedra” da artista visual portuguesa Pauliana Valente Pimentel irá ser apresentada na Sala Damião de Góis da Embaixada de Portugal em Bruxelas, no próximo dia 17 de janeiro de 2020.

Em declarações prestadas à e-Global, a autora do projecto conta que esta exposição se insere no âmbito de um trabalho mais vasto, relacionado com a juventude e as suas problemáticas. “Nos últimos sete anos tenho feito vários trabalhos que celebram a juventude. Comecei na Grécia, durante o período da troika, onde acompanhei a vida dos jovens gregos no período de crise económica e desde essa altura a minha luta tem sido esta”.

“Quel Pedra”nasceu a partir do convite para participar numa residência artística na ilha de São Vicente em 2014. A artista, influenciada pela primeira Gay Parede que tinha decorrido no Mindelo um ano antes, interessou-se por descobrir mais sobre aquela comunidade que ainda se vê a braços com problemas de discriminação e exclusão social. Assim sendo, foi acolhida no seio de um grupo de jovens no bairro Font Flip, com idades compreendidas entre os 17 e 25 anos, trangénero, que gostava de se maquilhar e de usar roupas femininas. “Estive com eles em dois momentos: um no final de 2014, outro em março de 2016 e foi interessante ver o quanto mudou a vida destes jovens cabo-verdianos e de que forma. Acompanhava-os para todo o lado, de tal forma que eles se esqueceram da presença da máquina fotográfica”, resume.

O nome “Quel Pedra”, que dá título à exposição, surgiu por causa do mito que circulava entre os jovens do bairro de que quem se sentasse numa determinada pedra ali existente, se tornaria gay. “A exposição mostra a história bonita e glamourosa de um grupo de jovens transexuais, com uma criatividade incrível, que se encontra bem inserido na comunidade, talvez devido à grande tradição carnavalesca presente na ilha”,resume Pauliana. No entanto, a artista ressalva ainda que “os problemas são muitos, desde logo, a falta de oportunidades que existentes na ilha e o contexto de pobreza em que vivem, mas como eram todos muito jovens na altura olhavam para o futuro com muita determinação e coragem e é isso que eu acho apaixonante nos vários trabalhos que tenho feito ao longo dos anos”.

Pauliana Valente Pimentel nasceu em Lisboa, em 1975, é artista visual e fotógrafa freelancer, fazendo trabalhos de foto-reportagem desde 1999 para diversos jornais e revistas. O seu trabalho tem sido apresentado em diversos palcos, sendo uma das fotógrafas mais ativas da actualidade portuguesa. Em 2015 recebeu o prémio de Artes Visuais do melhor trabalho fotográfico do ano, “The Passenger” pela Sociedade Portuguesa de Autores.

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