Cultura

Jornalista luso-brasileira narra em livro a vida do bispo emérito de São Félix do Araguaia

(C) Jessica Lima

A jornalista luso-brasileira Ana Helena Tavares é autora do livro “Um bispo contra todas as cercas – A vida e as causas de Pedro Casaldáliga”, que narra, em tom biográfico, as andanças e os destinos deste personagem que é conhecido por defender os direitos humanos, especialmente dos povos indígenas e marginalizados, e também por manter fortes posições políticas e religiosas. A obra conta com depoimentos de testemunhas que acompanharam os passos de Pedro Casaldáliga. Ana Helena Tavares contou à e-Global sobre como nasceu o livro, realçou a importância da opinião pública nesse caso e sublinhou o legado de Casaldáliga.

Como nasceu a ideia do livro?

Nasceu de um trabalho jornalístico sobre a ditadura militar brasileira, trabalho este que me levou a entrevistar Pedro Casaldáliga na sua casa em São Félix do Araguaia, no estado de Mato Grosso, centro-oeste do País, e a me encantar por ele. Sou uma repórter que se apaixonou pelo entrevistado e resolveu contar a história dele. Assim, virei biógrafa.

Qual é o tema e o que discute nas páginas do seu livro?

É uma biografia, portanto, narra a vida de uma pessoa, o bispo emérito de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, mas, nesse caso, narra a vida através das causas que ele abraçou. As páginas do livro discutem muitas questões ligadas a essas causas, tais como a luta por reforma agrária, contra o trabalho escravo, a defesa dos povos indígenas, a importância de uma educação laica e de qualidade, o direito humano à migração, e muitas coisas mais.

Como foi feita a pesquisa e a apuração?

Trata-se de um livro-reportagem, um trabalho com técnicas jornalísticas. Entrevistas e documentos foram colhidos ao longo de cinco anos para traçar o perfil do biografado.

Onde e quando foi lançada a obra?

A primeira edição foi lançada oficialmente em 21 de abril de 2019, domingo de Páscoa, na catedral de São Félix do Araguaia.

Já está na segunda edição, certo?

Sim. A primeira edição saiu, graças a financiamento coletivo, por uma editora carioca muito pequena, chamada Gramma, que não suportou a demanda. Foram 2.130 exemplares de duas tiragens da primeira edição vendidos em menos de seis meses. A segunda edição foi lançada oficialmente em 10 de dezembro de 2019, dia dos Direitos Humanos, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio, pela tradicional editora católica Vozes, a casa editorial mais antiga do Brasil.

Recentemente, circularam imagens nas redes sociais que mostram o Papa Francisco recebendo um exemplar do seu livro. Como vê isso?

Francisco é um ser humano iluminado. Só posso me sentir profundamente honrada por ver este livro chegar a ele. Ainda mais entregue por Dom Adriano Ciocca, atual bispo de São Félix.

Como avalia o resultado do seu trabalho?

O meu trabalho tem chegado a mãos e a lugares que jamais imaginei. Tive a glória de ver o livro chegar ao Papa, mas chegou também a um artista de rua que canta Rap num comboio da Central do Brasil. Chegou ao povo e isso, para mim, é a maior recompensa.

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