Cultura

Marcolino Moco: “ Entre 2002 e 2017, quando já não havia guerra, o grande problema foi  o aproveitamento do erário público”.

A apresentação do livro “Angola – Por Uma Nova Partida” realizou-se este domingo, 29 de fevereiro no espaço Casa Angola em Lisboa, contando com a presença do escritor e antigo primeiro ministro, Marcolino Moco, numa sessão-debate aberta à participação do público em que se abordou passado e futuro de Angola.

 O antigo Primeiro-Ministro angolano Marcolino Moco, defensor do Pan-africanismo, ideologia que proclama uma maior união de todos os povos dos países africanos, respeitando as múltiplas etnicidades e modelos culturais locais, apresentou o seu mais recente livro que parte das “derivações feitas a partir da sua tese de doutoramento”, servindo-se da sua própria experiência nas funções político – administrativas de Angola.

O livro analisa com especial atenção o último período do mandato do Presidente José Eduardo dos Santos à frente dos destinos de Angola entre 2012- 2017, em plena Primavera –Árabe. Contudo, como o escritor fez questão de afirmar, se o aproximar das eleições legislativo-presidenciais em Angola deram um empurrão decisivo na concretização da obra, “o livro é dirigido a África, usando em particular o caso angolano”.

Para o autor, uma das grandes dificuldades que ainda hoje subsistem em Angola tem a ver com o facto de uma grande franja da população não se encontrar representada no poder, não se fazendo jus à enorme etnicidade e regionalismo do país. Para exemplificar esta situação, Moco, referiu-se aos casos de Cabinda, que ainda hoje não goza de estatuto especial na sua plenitude e da região leste do país, cuja riqueza “serve mais os interesses de Luanda do que dos locais”.

No decorrer do debate, o escritor frisou que não se pode continuar como até aqui a importar os modelos ocidentais democráticos para realidades muito concretas e específicas dos contextos regionais africanos. “Eleições, sim! Mas tem de se criar pactos”, por isso o autor chama a atenção para a criação de um novo pan-africanismo onde se “possa regionalizar o poder, dar mais poder às províncias e assim contribuir para uma melhor redistribuição da riqueza”.

Num livro elaborado à volta de cinco eixos principais, o escritor sublinha que  esta obra não passa de uma opinião muito pessoal numa crítica feita “oportunismo político”. Para o antigo governante, Angola já perdeu tempo demais.  “Entre 2002 a 2017, quando já não havia guerra,  o grande problema foi o aproveitamento do erário público”, no entanto, alerta, “a mudança que se está a operar em Angola não pode ser feita de forma demasiado rápida. Têm de ser construídas pontes”.

Foi ainda abordada a questão da Guiné-Bissau, que vive uma situação política tumultuosa, com Moco a destacar que o caso guineense ilustra bem como os modelos ocidentais democráticos não podem ser adaptados sem serem previamente moldados à realidade de cada país.

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