Na Ilha de Moçambique com muitas estorias da sua história

Ricardo Barradas nasceu em Maputo, em 1948, mas foi na Ilha de Moçambique que começou a trabalhar como médico, logo após a revolução, e por lá se manteve durante mais 20 anos. Houve, desde sempre, por parte do escritor interesse e curiosidade pela história daquele lugar e foi através das suas deambulações que apreendeu parte da rica herança cultural e diversidade arquitetónica daquela cidade histórica.

Um livro de Allen e Barbara Isaacman, dois dos mais importantes investigadores da história de Moçambique, sobre os famigerados achicunda, escravos-guerreiros ao serviço da administração colonial, despoletou ainda mais o interesse do autor pela história do país e do importante papel do marfim no mercado das exportações nos séculos XVIII e XIX.

O primeiro livro, Memórias dos Elefantes de Moçambique, surge assim da necessidade de recontar estes acontecimentos históricos à luz dos dias de hoje, através do fio condutor de uma narrativa vibrante e factual. É de salientar que o número de elefantes no continente africano ascendia a mais de 20 milhões e que só na segunda metade do século XIX foram mortos quase três milhões para alimentar o comércio lucrativo da exportação do marfim, sendo também evidenciado ao longo das páginas os atos de valentia dos caçadores moçambicanos, os guerreiros achicunda, e como a Ilha de Moçambique ocupou um lugar de destaque no imaginário coletivo graças à astúcia dos guerreiros.

Foi também neste âmbito que surgiu o segundo livro, Ilha de Moçambique, estórias da sua história, como complemento do primeiro livro, assinalando todas as movimentações e transformações que a ilha foi sofrendo ao longo dos tempos.

Em declarações prestadas à e-global o autor sublinhou a importância de dar a conhecer aos mais jovens o passado histórico de Moçambique numa altura como esta de grandes mudanças políticas e culturais no país, pois mostra que no passado ocorreram importantes mudanças económicas e políticas que importam reter na memória de um povo. Por outro lado, para o escritor estas obras têm também um caráter lúdico importante já que nas suas palavras é triste a constatação de que a maior parte dos jovens moçambicanos têm conhecimentos muito fracos sobre a rica história dos seus antepassados  e estes livros foram escritos a pensar neles.

Com uma escrita simples e factual, o escritor guia-nos através da história de Moçambique dos séculos XVIII e XIX, do importante papel comercial que o país ocupava na altura, das principais rotas comerciais que se desenhavam, sendo este roteiro acompanhado de várias ilustrações e mapas para situar com detalhe o leitor na época referida, tornando a leitura agradável e cativante.

O livro já se encontra disponível nas livrarias de Maputo e acessível em todas as bibliotecas públicas da Ilha de Moçambique, incluindo o Centro Cultural Português a quem foram oferecidos cinco exemplares de cada um dos livros. O patrocinador da produção dos livros, a Gani, vai distribuir 100 dos 400 exemplares impressos pelas bibliotecas de mais de duas dezenas de instituições do Ensino Superior.

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