Cultura

Rita GT na rota de Angola com o projeto itinerante “A Escola ao lado”

A performer portuguesa, Rita GT (Guedes Tavares) vive entre Viana do Castelo e Angola, é licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e os seus trabalhos refletem sobre os temas de identidade, memória, género e colonialismo num questionamento permanente aos modelos já estabelecidos.

O seu trabalho individual está exposto pela primeira vez na galeria Movart, em Luanda, com curadoria da investigadora Ana Cristina Cachola, sob o tema “A Escola ao lado”, uma série de trabalhos itinerantes que foram pensados aquando da permanência da artista em Luanda, ainda em 2012. “A ideia surgiu precisamente por saber que aqui (em Angola) há pouca oferta de formação profissional em Artes, por isso este projecto contém um posicionamento crítico em relação a questões de educação. A evocação da escola, itinerante, que se transforma numa estrutura horizontal sem hierarquias, onde todas as vozes fossem ouvidas.”

Esta metáfora da escola como espaço de diálogo aberto a todos iniciou-se em Inglaterra, em Janeiro deste ano. “O primeiro projeto foi apresentado em Londres  –  School Next Door –  na galeria 50, onde trabalhei com a comunidade portuguesa mais antiga a viver ali, precisamente em Golborne Road, na “porta ao lado” da galeria. Muitos dos imigrantes, das décadas de 1960/1970 fugiram à guerra colonial, passaram momentos muito conturbados e interessei-me muito pelas mulheres migrantes que ficavam durante anos a trabalharem como mulheres a dias”, para testemunhar essa resiliência – das mulheres migrantes – a artista plástica fez uma performance que dava mote à lição principal intitulada “Aprender com Golborne. ”

De volta a Angola, desta feita na Galeria Movart, em Luanda, o projeto itinerante ganha outra dimensão e a “peça chave, a escultura é precisamente a transladação de material escolar, mesas, cadeiras e um quadro de uma escola antiga aqui da ilha de Luanda, próxima da galeria para o espaço da exposição, o que é por si só é um gesto social e politico importante.” A lição n2 presta um tributo à escola informal Só Bumba, fundada pelo artista e mestre que se apresenta na pessoa de Nelo Teixeira, artista que se dedica ao trabalho com materias reciclados e dedica grande parte da sua obra ao tema da gentrificação. No entender da artista, que colabora com o artista desde 2012, “ele tem estado sempre numa posição de altruismo no papel de ajuda a todos os artistas que trabalham em Angola e no incentivo às novas gerações, por isso seria importante homenageá-lo pelo seu trabalho e dedicação.”

De facto a comunidade artística de Angola vai ocupar um grande destaque na sessão de abertura da exposição tendo sido convidados pela protagonista todos os  interpretes com quem se tem vindo a relacionar nestes últimos anos a viver em Angola. “Vamos ter um momento muito forte, pois convidei todos os artistas com quem me relaciono, então haverá recitadores de poesia, cantores, ilustradores, cartonistas, com o fim de criar uma espécie de Jango, um momento de partilha, de diálogo da comunidade dentro desta escola e estarão ao mesmo tempo a decorrer aulas de desenho livre, carpintaria, fotografia que podem ser experimentadas por todos.”

As paredes da galeria serão ocupadas por uma série de fotos que abordam a questão da comunidade do Bairro da Chicala2 e que foram criadas pela artista durante o tempo em que lá viveu, será tema da primeira lição, Só Bumba Na Chicala. “Estamos a falar de pessoas que são, na sua maioria pescadores e que vão ser deslocados sem apelo nem agravo para o Zango 2, que fica na periferia de Luanda, num lugar isolado, então esta série de fotos aborda os retratos das famílias nas suas casas, porque me interessava perpetuar uma forma de viver que vai ser destruída em breve.” Não sabe até que ponto pode mudar a realidade, mas sente que como artista deve ter um posicionamento crítico em relação ao que a rodeia.

A exposição estará patente ao público até dia 31 de Janeiro de 2019.

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