Vida

Família portuguesa quer conhecer o mundo a bordo de veleiro

(c) Inês Saldanha

A família de seis pessoas prepara-se para embarcar num veleiro com o objetivo de dar a volta ao mundo. “É a concretização de um sonho que já tem vários anos”, assumem.

Inês, a mãe, conta-nos que tem a mania das arrumações, pois caso assim não fosse seria muito difícil “organizarem-se lá em casa”, e por isso está habituada a comandar as hostes. A Alice, com nove anos, o Manuel, com sete, o Francisco, com cinco e a Teresa com dois, sabem exatamente quais são as suas tarefas quando chegam da escola. Mas, agora, está tudo prestes a mudar! Inês Saldanha Pisco de 36 anos e João Saldanha Pisco, 43, preparam-se para embarcar naquela que será a aventura das suas vidas, velejar à volta do mundo a partir de julho deste ano.

A tripulação terá agora de estar mais coordenada do que nunca para poder enfrentar ventos contrários, marés agitadas e ir ganhando o gosto de andar nas ondas dia após dia. Nada que intimide o pequeno Francisco que quer aprender a falar as línguas de todo o mundo, “quero aprender inglês, chinês francês,” diz com um sorriso. Na viagem piloto até ao Algarve, durante dois meses, Inês ficou espantada com a áudácia dos pequenos navegadores, que seguiam com aprumo as ordens dadas pelo capitão João Saldanha, sem mostrar qualquer receio de viajar à boleia do vento. “Passados 15 dias, os miúdos estavam habituadíssimos, sem quaisquer receios. Eu é que não”, confessa.

O sonho de viajar à volta do mundo surgiu há muitos anos, “ainda namorávamos e já se falava em viajar a tempo inteiro. Eu, por mim, agarrava agora mesmo em nós e punhamo-nos dentro de um avião, agora o João tem esta paixão por veleiros e nós temos de juntar os sonhos. Então decidimos há mais ou menos cinco anos tratar de tudo para que tal fosse possível,” acrescenta Inês.

A embarcação é completamente sustentável. Painéis solares e uma turbina eólica ajudam a família a obter energia para todos os equipamentos. A rota também já está delineada em traços ainda muito gerais. “Saímos em direção a Cabo Verde com várias paragens, depois pretendemos subir o rio da Gâmbia porque existem aí muitos animais selvagens,  regressamos a Cabo Verde, pretendemos atravessar o atlântico, com uma breve passagem pelas Caraíbas, a seguir entramos no Pacífico e aí é onde queremos passar mais tempo, pois de barco chegamos a sítios únicos, depois a zona da Ásia, Madagáscar e a seguir logo se verá”.

Se a sustentabilidade é a meca de João e da filha mais velha, Alice, para Inês, a sua meta é sentir que pode fazer algo do ponto de vista social e humano. “É a minha parte, se eu não tiver um propósito durante a viagem facilmente me deixo levar pelas saudades de casa. Viajar só não chega”. E assim nasceu o projeto “Letters of Love”.

“A minha ideia é muito simples, chegamos a uma cidade, vila, aldeia e procuro uma escola. Lá explico aos meninos que há outras crianças que estão no hospital, longe de casa, que não têm os amigos perto e adorariam receber um postal. A ideia é levar toda a correspondência recolhida ao hospital mais próximo ou centro de saúde local. É um projeto muito simples e eu não estava à espera de ter um feedback tão grande, mas a cada dia que passa apercebo-me que é algo que pode  ser feito e que se pode tornar realidade em todas as partes do mundo”.

O relógio não pára, o friozinho na barriga começa a crescer à medida que a hora da partida se aproxima e as perguntas começam vir de todos os lados. “Como é que se organiza uma coisa destas? Perguntam-me muitas vezes. Há dúvidas acerca de tudo. Para coordenar uma viagem destas é preciso uma grande dose de loucura e muita sintonia entre todos, já eu não tenho parado um segundo. Atualmente sinto esta viagem não é só minha e da minha família, mas de todos aqueles que me seguem”, confessa com um sorriso rasgado, Inês, a velejadora.

A família disponibiliza o link para acompanhamento da viagem através do instragram @wind.family e em video.

 

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