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Filme português “Mosquito” na abertura do Festival de Roterdão

O “Mosquito”, filme do realizador português João Nuno Pinto será o filme de abertura do IFFR – International Film Festival Rotterdam, que decorrerá de 22 de Janeiro a 2 de Fevereiro, onde estará em Competição, na selecção oficial, concorrendo ao prémio para Melhor Filme, o Tigre de Ouro.

João Nuno Pinto nasceu em Moçambique em 1969 e mudou-se para Portugal com apenas 5 anos, logo a seguir à independência da antiga colónia portuguesa. Os últimos anos têm sido divididos entre Lisboa e São Paulo, Brasil, onde residiu durante vários anos.

Com uma carreira consolidada na publicidade, em 2010 João Nuno Pinto estreia a sua primeira longa-metragem de ficção, América, uma irónica reflexão sobre Portugal enquanto país destino de imigração. O filme foi selecionado para vários festivais internacionais e distinguido com alguns prémios importantes.

“Mosquito”, o seu mais recente filme, escrito pela sua mulher e também guionista Fernanda Polacow e por Gonçalo Waddington demorou quase 7 anos a preparar. O filme foi produzido por Paulo Branco através da companhia  Leopardo Filmes em co-produção com Alfama Films Production (França), APM Produções (Portugal), Delicatessen Films (Brasil) e Mapiko Filmes (Moçambique).

Esta longa-metragem de ficção é inspirada na história do seu avô que “com apenas 17 anos desembarcou em Moçambique junto com a 4.ª Companhia Expedicionária Portuguesa, para defender a ex-colónia portuguesa da ameaça alemã”.

O realizador menciona na nota de intenções que o filme retrata, “a saga solitária do soldado Zacarias à procura do seu pelotão é a espinha dorsal da história. Pelas suas referências claras da narrativa clássica grega, Mosquito navega dentro do género do filme épico, o que o torna universal na dialética com o público. No entanto, ele não usa apenas os códigos clássicos do género, mas sim uma linguagem e abordagem narrativa descoladas de algumas convenções, indo ao encontro a um universo mais autoral. É na linguagem, que o filme se desvia do clássico para abraçar a história com mais crueza e contemporaneidade, colocando-nos assim mais perto do olhar (cada vez menos) inocente do jovem soldado”.

“Há no filme uma espécie de flutuação entre a realidade e a fantasia, entre o passado e o presente, entre a fabricação e o quotidiano. As situações parecem fantásticas, mas são reais. Os delírios parecem reais, mas são fabricações de uma mente perturbada. E a suas recordações aparecem como fragmentos dispersos da memória. A ideia do real versus o imaginado é importante pois namora com a própria criação das histórias e das guerras e faz parte da narrativa de Mosquito, explorando o espaço imaginativo deixado vago pela amnésia histórica”.

O filme “Mosquito” tem estreia marcada para dia 5 de Março, em Portugal, e 18 de Março em França.

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