Ter uma deficiência pode estimular o cérebro a desenvolver novas capacidades

Kimitaka Nakazawa, especialista em neurorreabilitação, estudou pela primeira vez a atividade cerebral de um medalhista de ouro paraolímpico em janeiro de 2016 quando ficou impressionado com a performance de natação de um atleta nos EUA. Segundo o investigador o braço esquerdo do atleta, normalmente imobilizado pela paralisia cerebral, fazia movimentos largos e impressionantes na água.

Os estudos de Nakazawa revelaram que, embora a função na área do cérebro que normalmente controla o braço esquerdo tenha sido quase totalmente perdida, outras partes do cérebro, que normalmente controlariam outros membros, estavam extremamente ativas.

Isto sugeriu a possibilidade de que outras partes do cérebro poderem sofrer hiperdesenvolvimento em para-atletas para compensar a perda de função noutras vertentes. Assim, Nakazawa realizou uma série de testes com a cooperação de atletas de alta competição em várias modalidades para-desportivas, incluindo salto em distância, salto em altura e arco e flecha. Em todos os casos, os dados obtidos em exames de fMRI (imagem de ressonância magnética funcional) corroboraram a hipótese. E talvez ainda mais notável foram os resultados do estudo com atletas de levantamento de peso.

“Quando comparamos atletas com lesão medular com atletas sem deficiência, os para-atletas tiveram melhor modulação de força do que pessoas sem deficiência – por outras palavras, conseguiram manter uma determinada força nos músculos dos membros superiores de forma mais estável. Parece provável que tenha ocorrido uma mudança no cérebro para compensar a perda de funcionalidade dos membros inferiores, acelerada por um rigoroso treino diário.”

Na verdade, o recorde para o supino na modalidade de paralímpicos já excede o dos atletas sem deficiência, enquanto no tiro com arco o detentor do recorde para o tiro mais longo preciso é um para-atleta sem os dois braços.

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