Cultura | Vida

Graça Fonseca lamenta a morte do escritor, poeta e tradutor Manuel Resende

A Ministra da Cultura lamenta profundamente a morte do escritor, poeta e tradutor Manuel Resende (1948-2020). Natural do Porto e formado em engenharia, trabalhou como jornalista no Jornal de Notícias e foi tradutor no Conselho Europeu. A sua obra poética, tão curta quanto intensa, é herdeira e próxima das tradições literárias surrealistas, mas a sua originalidade nunca se deixou limitar por movimentos e grupos.

Os seus poemas demonstram um esforço de movimento e, também, de aprendizagem e abertura às influências porque, como o próprio dizia, “Aceito todas as influências. Afirmo-me com o que recebo“.

Esta admiração pela escrita dos outros, na “procura de [se] exprimir e ser outro pela voz alheia” fez de Manuel Resende um dos nossos grandes tradutores, que transpôs para a língua portuguesa autores de outras línguas e horizontes, como Brecht, Schnitzler, Kafka ou, mais recentemente, os “145 poemas” de Kaváfis, um trabalho de tradução extraordinário e um projeto de quinze anos de dedicação a esse gesto de partilha que é tornar-nos mais próximo o que outros escreveram.

O seu nome ficará profundamente fixado na história da literatura portuguesa, não só pelo singular percurso poético com que, a cada livro, nos foi surpreendendo, mas também pelo enorme entusiasmo com que sempre traduziu. Demonstrando que o trabalho de tradução é também uma arte por direito próprio, Manuel Resende foi um dos mais notáveis tradutores da língua portuguesa e um divulgador apaixonado da arte literária, oferecendo aos leitores de português um espaço mais rico e vasto.

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