Tecnologia

WebSummit dá a palavra aos empreendedores africanos; “Onde há um milhão de problemas, há dois milhões de soluções”.

A edição “The Future of Africa 2019” que decorreu esta segunda-feira, dia 4 de Novembro, na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, inserida no programa “WebSummit on the Road 2019”, juntou vários nomes de destaque do panorama tecnológico africano.

Como afirmou Carla Portela, membro do gabinete de Apoio à Criação de Valor da Universidade Nova de Lisboa, o objetivo principal do evento seria a “criação de pontes entre o mundo académico e os stake holders (investidores)”, assim como uma reflexão conjunta sobre o futuro tecnológico de África e o seu ecossistema de inovação”.

Tendo como base essa premissa, os oradores foram dando a conhecer as suas experiências e motivações. Destacando-se a presença de Emerson Paim, angolano, Diretor- Geral da Startup de mobilidade, Kubinga, que evidenciou o carater resiliente da população angolana, “cada vez mais empenhada e embrenhada na construção de incubadoras, apesar de ainda persistirem graves problemas na banca e ao nível do sistema educativo”, adverte. “Em Portugal, por exemplo, há um bom sistema bancário mas essa realidade não se pode adequar à realidade angolana, por isso a tecnologia pode ser uma ajuda importante para colmatar essas desigualdades”.

Paim, vencedor do prémio de inovação em 2018 com o serviço de partilha de viagens peer to peer, reforça que “investir em África não é fácil, pois nós temos um milhão de problemas, mas para esse milhão de problemas há no minímo dois milhões de soluções”. Atualmente, a Kubinga opera em Luanda com o objetivo de se expandir a nível regional e emprega mais de 500 pessoas.

Já para Amélia Armando, uma das fundadoras da Sheshe, uma startup que vende artigos de moda e beleza de marcas africanas, “a tecnologia tem sido um motor de desenvolvimento importante ”. O objetivo principal é dar a conhecer ao resto do mundo o potencial que existe em África, sem estar sempre “a salientar os aspetos negativos”. No início em 2017, a Sheshe começou só com marcas angolanas, mas a prioridade “passa agora por reunir marcas do mundo inteiro”.

Também Saulo Montrond, fundador da empresa GreenStudio e Cabo Verde Live, considera que é importante “apostar numa narrativa positiva em relação a África”. Esta plataforma de conteúdos que está a mudar o panorama audiovisual em Cabo Verde, cujo público é sobretudo jovem, ainda precisa de mais visibilidade para crescer. Para o jovem empresario, “África não pode continuar a ter 3% de tráfego de Internet no mundo”.

Entre os dias 4 e 7 de Novembro tem lugar na Feira Internacional de Lisboa- FIL, pelo quarto ano consecutivo, um dos maiores eventos de tecnologia e empreendorismo que reúne cerca de 2100 start-ups oriundas de 160 países. Este ano, a web Summit conta com a participação de 41 startups africanas, das quais cinco provém de Angola e uma de Cabo Verde, sendo até agora a maior representação de sempre do continente africano.,

 

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