Angola: “Deixei a UNITA porque não encontrei espaço de afirmação”, afirma Dinho Chingunji

Dinho Chingunji, líder do Partido Nacionalista para a Justiça em Angola, P-NJANGO, ambiciona chegar ao poder dentro dos próximos 5 anos. Neste momento, para as eleições de 2022, a meta que coloca é ser a terceira força política e conquistar 30 a 32 deputados ou, na pior das hipóteses, seis a oito.

Depois do dia 24 de Agosto, Dinho ambiciona ter um partido bastante interativo com a capacidade de formar um grupo parlamentar a nível do hemiciclo e, naturalmente, contribuir com soluções numa oposição solidária, contributiva e versada. Pretende essencialmente apoiar iniciativas e colaborar com soluções para outras áreas de políticas públicas onde o vencedor, seja quem for, pode contribuir. “A ideia é ser uma oposição responsável , uma oposição que contribui com soluções e não apenas uma oposição de bota-abaixo”.

Com tão pouco tempo de vida, o partido nacionalista não está muito preocupado pois, como o líder afirmou em entrevista, o tempo de maturação em política é um pouco complicado, 5 anos são 5 dias e dez anos podem representar dez meses, ainda assim pretende elevar a fasquia. “Quando digo que em 2027 o partido P-NJANGO pretende conquistar o poder, é porque definimos um tempo de recorde de maturação de 5 anos. Os próximos 5 anos serão de preparação do partido, crescimento, afirmação, implementação e implantação em todo território nacional, para que em 2027 seja uma força a nível nacional e que pode de certa forma disputar o poder”.

“A ideia é ser uma oposição responsável, uma oposição que contribui com soluções e não apenas uma oposição de bota-abaixo.”

Quando questionado se voltaria a aliar-se à UNITA , Chingunji respondeu que “A família Chingunji faz a saga dos momentos menos bons do partido e do movimento UNITA, um partido que dizimou toda uma família e outras. Naturalmente se voltássemos atrás pensávamos em nunca nos ter envolvido nesta formação política. Há um sentimento de mágoa e revolta, mas compreendemos que também foi essa organização que fez a escola onde crescemos e aprendemos o bê-á-bá da política. Mas de facto se o tempo pudesse voltar atrás, jamais teríamos avançado para o projeto político que nós hoje conhecemos como UNITA”.

Várias vezes questionado o motivo específico de ter saído da UNITA, o líder do partido P-NJANGO explica: “deixei a UNITA porque não encontrei espaço de afirmação dentro da UNITA”. Segundo o político, durante as eleições múltiplas depois da morte de Jonas Savimbi, em 2002, Dinho chegou a concorrer à presidência do partido, mas dentro do mesmo muitos acreditavam que ele queria vingança se chegasse a liderança do partido, devido ao histórico familiar. Explica também que passou por muitas outras dificuldades e artífices. Não chegou a avançar com a candidatura à sucessão de Jonas Savimbi pois foi impugnado no seio dos camaradas e viu que não tinha qualquer espaço para as suas ideias, decidindo afastar-se.

Dinho Chingunji e Bela Malaquias saem os dois da mesma casa e cada um cria o seu partido. Tendo a mesma base política foi várias vezes questionado do porquê de não haver coesão. Dinho responde dizendo que as dissidências dos partidos políticos e sistemas democráticos são fenómenos absolutamente normais. “Se olharmos para 1992 grande parte das forças políticas que existiram saíram do ventre do MPLA , e nem por isso foi questionado o princípio de ruptura ou falou-se de falta de coesão interna.”

“Os próximos 5 anos serão de preparação do partido, crescimento, afirmação, implementação e implantação em todo território nacional”

Chingunji afirma que todas as organizações sociais, nomeadamente as políticas, têm filosofias diferentes e quando não existe consenso há uma ruptura, “com isso não quer dizer que nunca tenha corrido bem”. Dinho continua a ter boas ligações com a UNITA e familiares com quadros dentro do partido. Explica que, de certa forma, decidiu apostar mais nos seus ideais políticos e, tal como aconteceu com o Abel Chivukuvuku, a vida segue .

Em relação ao alvoroço provocado nas redes sociais por familiares de pessoas já mortas que estão a ser convocadas para mesas de voto, o líder do partido P-NJANGO diz-se preocupado e pensa que esta é uma questão muito sensível para fazer afirmações taxativas. Acredita que sendo verdade não é bom para a transparência que se pretende, nem para a consolidação e conhecimento democrático que se está a viver em Angola. “É preciso que se apure os fatos e que a CNE (Comissão Nacional Eleitoral) venha a terreiro e se manifeste publicamente e responda a essas acusações para o processo não ficar manchado. Processo que até está a decorrer com alguns lives de transparência e lisura.”

O líder do partido nacionalista acredita que se fala muito do MPLA e da UNITA por 3 grandes razões. Primeiro por serem os dois maiores partidos nacionais, segundo porque os dois partidos destruíram o país e terceiro porque vivem com sentimento de culpa pelo atraso que o país registou desde 1975, com aposta na lógica da guerra e da disputa pelo poder. Para Dinho, essa lógica bipolarizada que existe na agenda política nacional criou narrativas tais como: “ser um bom militante para confiança política ou ascendência a uma posição, e isso deu azo ao nepotismo, lambe-botas, a todas essas formas de progressão da carreira em detrimento da meritocracia e competência.”

Dinho Chingunji acredita que os dois partidos têm responsabilidades desta subcultura que se desenvolveu em Angola, a cultura da bajulação, e que se tivessem antes desenvolvido a cultura do bom cidadão e da competência o país teria desenvolvido da melhor forma. “Até hoje continuam a condicionar o futuro dos angolanos e daí a necessidade de forças novas para trazer ao país melhores propostas, como a distribuição e a gestão da riqueza da nação, o combate a malária, pobreza e justiça social”, conclui Dinho.

Luzineide Pacheco – Correspondente

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