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Ayman Bouras, o homem que prepara o regresso de Saïf al-Islam Kadhafi ao poder na Líbia

Saïf al-Islam Kadhafi

Detestado pelo poder em Tripoli, tem cerca de 40 anos, formado em gestão e economia do desenvolvimento numa universidade privada na Tunísia, Ayman Bouras, natural de Djebel Nefoussa, prepara o regresso ao poder na Líbia de Saïf al-Islam Kadhafi, filho Muammar Kadhafi.

Ayman Bouras está consciente que faz face a uma violenta oposição das autoridades em Tripoli, mas está convicto também que Saïf al-Islam Kadhafi é a “única solução para a Líbia” após cerca de nove anos de crises, anarquia e lutas crónicas pelo poder.

e-Global: Como encara a actual ambiente de caos na Líbia?

Ayman Bouras: Quando vejo os meus concidadãos a vaguearem em todos os países e a fugir em todos os sentidos para escaparem à morte, morro de tristeza, mas também reforça a minha determinação na luta pelo restabelecimento da paz e da ordem, que apenas será possível com Saïf al-Islam Kadhafi, que nunca escondeu a vontade de regressar cena política na Líbia, impondo no país a preservação da sua identidade africana e islâmica, e protegendo sempre o direito e a liberdade de todos.

Acredita realmente que esse projecto é exequível neste momento, quando duas forças armadas combatem entre si e são apoiadas por potências internacionais, mas também quando sanções internacionais permanecem em vigor?

Claro que sim! Basta ver o exemplo da Tunísia em que Nabil Karoui é candidato à presidência a partir da prisão. O que pretendo dizer é que nunca devemos baixar os braços ou abdicar.

Quais são as principais linhas do projecto de Saïf al-Islam Kadhafi no seu regresso ao poder?

Este é o projecto que Muammar Kadhafi pretendia por em prática antes dos ataques da OTAN, que acabaram por destruir a esperança e o povo líbio. Este projecto concentra-se particularmente na participação de todos os líbios e especialmente dos jovens, sem exclusões ou marginalizações, na reconstrução da Líbia. O filho do Guia da Revolução líbia aposta em força na africanidade e na grande África como um espaço onde todos os países poderão afirmar-se. Queremos uma moeda única comum e terminar definitivamente do jugo colonialista que ainda esmaga o povo africano, este propósito constitui a pedra angular do projecto. Tal como referi, apostamos no papel da juventude na construção do país, com iniciativas individuais e colectivas, que permitam desenvolver solidamente a economia numa medida em que os países vizinhos também vão beneficiar.

Com as sanções da Comunidade Internacional que visam directamente Saïf al-Islam Kadhafi, será possível concretizar a sua candidatura às eleições presidenciais e ser eleito?

Se o povo líbio escolher livremente o seu presidente, não há qualquer motivo para a Comunidade Internacional intervir. Caso contrário, será uma deturpação da escolha do povo líbio que, por sua vez, poderá deixar de reconhecer essa Comunidade Internacional que está assente na injustiça e nas desigualdades. Sobre essa Comunidade Internacional o povo líbio tem más recordações, pois, foi essa mesma Comunidade que destruiu toda a sua história e esperança.

Como explica que os amazighs líbios sejam aliados do Governo de União Nacional, e muito críticos da era de Kadhafi, quando Aymen Bouras é um amazigh e prepara o regresso ao poder de Saïf al-Islam Kadhafi?

De facto, eu sou a excepção e assumo totalmente as minhas escolhas políticas e posições. Sobre Kadhafi, foi a Comunidade Internacional que sempre o combateu e diabolizou, apresentando-o incessantemente numa óptica negativa e humilhante.

Kadhafi nunca foi um ditador, e a sua actuação mostra esta realidade. Repare que mesmo as pessoas que o tentaram assassinar, acabaram por ser perdoadas, libertadas e beneficiarem de uma pensão. Isto foi possível com a intervenção de Saïf al-Islam Kadhafi, que pretendeu escrever uma nova página na história da Líbia. Como exemplo temos Ali Yahia Muammar, Said Cheikh e Said Chtaoui, todos originários de Nallout, que tentaram assassinar o Guia da Revolução em 1984. Isto aconteceu num momento em que todos pensavam que a Líbia estava no ponto crucial da ditadura.

Os três ficaram na prisão até 2008, quando Saïf al-Islam Kadhafi decidiu os libertar e, até, dar-lhes um salário. Eles receberam o salário que correspondeu a todo o período que estiveram na prisão. É a isto que chamam ditadura? Infelizmente estas iniciativas são intencionalmente ignoradas e não interessam às potências estrangeiras que focalizam-se apenas em denegrir um presidente, e a sua família, que pretendeu fazer da Líbia um paraíso regional onde reinaria o desenvolvimento e a prosperidade.

Sendo uma pessoa que defende abertamente a causa e as personalidades do antigo regime, e particularmente do filho de Muammar Kadhafi, receia ser vítima de um atentado?

Como muçulmano acredito que o que acontece a todos os seres vivos depende directamente de Deus, e isso reforça a minha determinação em continuar na via que escolhi e que acredito que é o caminho certo. Nada pode desviar-me deste caminho, independentemente dos riscos que eu possa correr. Não sou melhor que aqueles que se sacrificaram pela independência da Líbia. O caminho que escolhi é o da união das forças do país para sair da crise, e não faço parte do grupo daqueles que combatem para encherem os bolsos. A minha causa é a de todos os líbios.

Onde estão os antigos quadros do exército que defenderam sempre a causa do Guia da Revolução?

Boa pergunta! Muitos desses quadros hoje estão nas fileiras de Khalifa Haftar a tentarem ocupar Tripoli e conquistarem todo o território líbio, mas também a lutar por eleições… em que Saïf al-Islam Kadhafi será vencedor.

Acredita verdadeiramente nisso?

Claro que sim, não podemos cruzar os braços. A conquista de Tripoli acontecerá brevemente.

Mas no terreno a realidade é outra…

O tempo vai dar uma resposta à história e esta será favorável à justiça e aos homens justos. A unidade da Líbia é do interesse máximo de todos os líbios, onde quer que eles estejam. O projecto de Saïf al-Islam Kadhafi é sólido, sendo também o único que é de facto a solução para a crise na Líbia.

KR/RN

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