Brasil | Entrevista | Exclusivo | Igor Lopes

Brasil: Eleições Municipais. Ex-jogador do Benfica, Camillo Neves é candidato a vereador pela cidade brasileira de Vitória.

Camillo Neves é lusodescendente e, hoje, aos 29 anos de idade, é candidato ao cargo de vereador pela cidade de Vitória, capital do estado do Espírito Santo, Brasil. Neves tem uma vida intimamente ligada ao desporto. Jogou futebol de campo pelo Benfica, na categoria Sub-18, em Lisboa, no ano de 2007. E chegou a ser campeão com os “encarnados”. E é parte dessa sua vivência como atleta que Neves quer trazer para a política e para o dia a dia da sociedade. Atualmente, além de estudante e empreendedor, é jogador da Seleção Brasileira de Fut7.

 

Se eleito, Neves pretende “apoiar o empreendedorismo, investir em mobilidade urbana, cultura e desporto”. Em termos políticos, este jovem traz na bagagem experiência como Assessor Parlamentar, Gerente de Desporto eLazer e Gerente de Desporto do Centro Esportivo Tancredo de Almeida Neves – Tancredão.

 

Em conversa com a nossa reportagem, este responsável falou sobre as suas ideias para a cidade, destacou os desafios que os políticos encontram em Vitória, realçou que temas mais preocupam os capixabas e revelou qual é a sua ligação a Portugal.

 

O que está a motivar a sua candidatura à Câmara Municipal de Vitória?

Desde muito novo, por conta do desporto, sempre dei entrevistas e, por muitas vezes, as pessoas já me escolhiam para falar em público (rádio, televisão, etc.), onde expunha as questões abordadas previamente pela equipa, sendo assim o seu representante. Foi aí que recebi o primeiro convite para ser candidato a vereador de Vitória. E, como sou apaixonado por desafios, aceitei. Fui candidato a vereador nas eleições de 2016 e, desde então, muita gente legal me acompanha e acredita em mim e na verdade das minhas causas. Com o apoio destas pessoas e do coletivo que tem crescido a cada dia, aceitei novamente o desafio e sou candidato a vereador de Vitória, tendo como motivação apoiar o empreendedorismo, investir em mobilidade urbana, cultura e desporto.

 

Quais desafios os próximos vereadores de Vitória terão numa época pós pandemia?

Acredito que pós-pandemia enfrentaremos uma forte crise económica, já existente, e o principal desafio será buscar formas de recuperar o prejuízo das grandes, pequenas e microempresas que representam a maior parte de geração de emprego no país.

 

Como o Covid-19 está a impactar Vitória?

Acredito que os impactos em Vitória não estão sendo tão diferentes do restante do País e do Mundo. O diferencial é o acesso que temos ao sistema de saúde. O estado do Espírito Santo foi um dos últimos a entrar na lista de estados com alto índice de contaminação pela doença. Sendo assim, as nossas autoridades puderam se preparar e preparar a população para enfrentar o que estava acontecendo. Infelizmente, o número de mortes ainda foi grande.

 

Como pretende atuar em favor da Cidade?

 

– EMPREENDEDORISMO: o empreendedorismo é a resposta para melhorar a sociedade. Temos de ter em mente que é possível erradicar a pobreza simplesmente dando suporte às pequenas e médias empresas, seja fornecendo elementos para que as pessoas criem os seus próprios negócios, seja estimulando a geração de emprego. Após a pandemia que assolou o nosso país, não restam dúvidas de que enfrentaremos uma grande crise económica. A desburocratização e o incentivo ao microempreendedor é a resposta que precisamos para enfrentar os tempos difíceis que vêm por aí.

 

– MOBILIDADE URBANA: a mobilidade é o grande desafio das cidades contemporâneas, em todas as partes do mundo. A opção pelo automóvel – que parecia ser a resposta eficiente do século XX à necessidade de circulação – levou à paralisia do trânsito, com desperdício de tempo e combustível, além dos problemas ambientais de poluição atmosférica e de ocupação do espaço público. Busco difundir e disseminar boas práticas de transportes coletivos integrados que melhorem a qualidade dos ambientes urbanos. Mobilidade urbana sustentável, em outras palavras, que envolve a implantação de sistemas de transporte coletivo, com integração a ciclovias, esteiras rolantes, elevadores de grande capacidade ou sistemas de bicicletas públicas, como os implantados em Copenhaga, Paris, Barcelona, Bogotá, Boston, Amsterdão e em várias outras cidades mundiais. Por fim, a mobilidade urbana também demanda passeios confortáveis, nivelados, sem buracos e obstáculos, porque um terço das viagens realizadas nas cidades brasileiras é feita a pé ou em cadeiras de rodas. Somente a requalificação dos transportes públicos poderá reduzir o ronco dos motores e permitir que as ruas deixem de ser “vias” de passagem e voltem a ser locais de convivência.

 

CULTURA: a cultura é a nossa herança social, traz para a sociedade um conhecimento e uma riqueza sem igual. Proporciona acesso ao lazer, conhecimento, prazer, a novas tradições e ideologias e diversos bens. Quando bem trabalhada, pode tornar-se em algo que faça parte da vida e do cotidiano do todo. Tornando rotineiro o acesso às novas tradições e ideologias. A solução cultural é a melhor arma de que dispomos para combater os graves problemas socioeconómicos do nosso país, pois a cultura interfere na autoestima de maneira surpreendente, atribuindo valor, identidade, disciplina e motivação para mudar. A cultura proporciona prazer em ser, fazer e pertencer, sendo este o prazer sadio de viver e é uma força capaz de reverter muitos problemas, como os das drogas e criminalidade dentro de uma sociedade. Ela fortalece os aspetos e a identidade pessoal e social do indivíduo e condições de bem-estar.

 

DESPORTO: há várias maneiras de mudar o mundo e o desporto é uma delas. Desporto é muito mais do que saúde e bem-estar e lazer. É educação! Isso porque o tem a capacidade de transformar pensamentos, educando o corpo e a mente pelo prazer. Não é novidade que o desporto traz inúmeros benefícios à sociedade. Melhoria da saúde e inclusão social são alguns exemplos de como pode transformar a vida de uma pessoa. Na saúde, o desporto proporciona a prevenção de doenças cardíacas, diabetes, obesidade e várias outras. Mas, atualmente, vem ganhando espaço e uma importância ainda maior na promoção da segurança pública. Projetos sociais que utilizam o desporto como ferramenta para tirar crianças e adolescentes das ruas têm tido grande sucesso no combate às drogas e à violência. O envolvimento com o desporto tem papel fundamental no afastamento de jovens e adolescentes do mundo da criminalidade e das drogas. Retirar crianças e adolescentes das ruas para a prática desportiva é preencher o seu tempo ocioso, contribuindo para a formação de um cidadão com caráter e dignidade.

 

O que é necessário para cuidar da saúde da população capixaba?

Em primeiro lugar, compromisso e seriedade para gerir a verba destinada aos hospitais, postos de saúde, unidades de pronto atendimento, bem como ginásios populares, projetos que promovam desporto como ferramenta de prevenção a doenças.

 

Como enxerga os problemas de corrupção na política?

Muito sério. Tornou-se num círculo vicioso, onde uma parte dos políticos, esqueceram os seus princípios e valores.

 

De que forma a política nacional, ou seja, o Governo Federal deve olhar para Vitória?

Como uma capital com grande potencial de Desenvolvimento Humano. A cidade tem o quinto melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre todos os municípios brasileiros. Em 2015, foi considerada a segunda melhor cidade para se viver no Brasil pela Organização das Nações Unidas (ONU). Numa pesquisa de 2017, Vitória foi classificada como a terceira melhor capital brasileira para se viver e a nona melhor cidade para se envelhecer no Brasil. Além disso, Vitória tem o melhor índice de bem-estar urbano entre as capitais brasileiras e possui sete entre os 20 melhores bairros de todo o país. Vitória também possui uma cultura gastronómica rica, é dona de grandes belezas naturais, além de um povo acolhedor. Infelizmente, ainda é pouco explorada turisticamente.

 

Ser político no Brasil, é hoje visto, de forma crítica e negativa por parte da população, já que políticos estão a ser responsabilizados por má gestão e corrupção. Como pensa que será atuar como vereador em Vitória?

Será desafiador, mas creio que estou preparado para tal experiência. Quanto à má gestão e corrupção, são características que repudiamos e estamos buscando mudar. Para isso, precisamos que a população faça valer o seu voto, que tenha consciência de quem é o candidato que escolheu para representá-la, não se deixando corromper na base.

 

Vai concorrer por qual partido? Qual é a Orientação do seu Partido?

Sou candidato pelo Partido Verde (PV). É um partido que defende a democracia, a cidadania, a diversidade, a justiça social e a ecologia.

 

Qual a sua opinião sobre o governo do atual Prefeito de Vitória?

Foi uma gestão considerada boa, tendo apenas alguns pontos específicos que poderiam ter sido melhor trabalhados, como, por exemplo, desporto. Mas, isto acontece uma vez que nunca se agrada a todos.

 

Quais são as suas ligações a Portugal?

A minha avó (Avanca), a minha bisavó materna (Avanca – família Bailas) e o meu bisavô materno (Fermentelos – família Pepino), além de outros familiares portugueses, que hoje residem no Espírito Santo e em Minas Gerais.

 

Que imagem tem de Portugal?

Uma imagem linda, de um país de onde vieram os meus ancestrais e, com eles, os seus costumes e cultura, repassados a mim, aos meus irmãos e primos. Valores que fui aprendendo com o meu bisavô nos seus ditados; “se queres empobrecer sem sentir, ponha os outros a trabalhar e deita-te a dormir”, “se algo tens de comprar, compre de quem herdou, porque não sabe o que lhe custou”, etc. A preocupação em zelar pelo nome, pois é a nossa maior herança. Na minha curta passagem pelo Benfica, gostei muito da receção dos portugueses e do tratamento recebido por eles. Fiquei em Lisboa e, claro, encantado com tudo!

 

Tem alguma interação com a comunidade ou cultura de Portugal no Brasil, em Vitória?

A minha família e primos portugueses, além do Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral, onde jogo desde os oito anos de idade.

 

Quais são as suas Formações Superiores?

Graduação incompleta em Direito (6’ período); Graduação incompleta em Educação Física (8’ período)

 

Por fim, que mensagem deixa para os capixabas? Acredita que Vitória possa voltar a ter uma imagem mais valorizada?

Quero aproximar o ambiente de negócio e as pessoas ao Poder Público, fazendo com que a Prefeitura deixe de ter o ar de “carrasco” e passe a ter o papel de suporte aos cidadãos. Amo a minha terra e vou fazer de tudo para que, cada dia mais, a sua qualidade de vida seja melhor! Para isto, precisamos avançar em alguns segmentos onde Vitória ainda é carente.

 

Ígor Lopes

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