Entrevista | Exclusivo

Entrevista a Ibrahim Kaci, gerente da Sarl Ifri, maior produtora de bebidas da Argélia

Ibrahim Kaci é gerente da Sarl IFRI, uma das primeiras produtoras de água mineral e de bebidas gaseificadas e sumos, na Argélia, implementada em Bejaia, na Kabylia.

O gerente desta empresa, conhecida e reconhecida no mercado económico nacional, responde às questões da E-Global.

PDG DE IFRI (22)

E-Global – O que é necessário fazer para relançar a produção nacional?

Ibrahim Kaci – Promover a produção nacional, obriga a fazer passar o produto nacional com a qualidade atual para uma outra necessariamente superior. Para isso, um certo número de decisões à escala dos poderes públicos e de acções à escala empresarial devem ser complementares. Assim, do lado da entidade de produção devem ser esperados:

– investimentos apropriados cujos efeitos sejam aumentar a produção e a qualidade dos produtos destinados ao mercado. A realização de tais investimentos necessita, evidentemente, de diversas fontes de financiamento (auto-financiamento, empréstimos bancários, linhas de crédito, créditos associados, bolsa, etc.)

A questão dos financiamentos dos investimentos conduz à política dos poderes públicos na matéria. É altura de dizer que estes últimos deverão, de uma maneira ou de outra, acompanhar e/ou facilitar a realização destes investimentos em favor destes últimos, mas também deverão dinamizar a atividade da bolsa como fator de financiamento, mobilizando uma poupança popular, através da qual todos percebam o seu significado.

– desenvolvimento ‘feroz’ da qualidade do produto colocado no mercado. Nesta perspetiva, colocar critérios e normas internacionais à disposição, na matéria, impõe-se, o que supõe um profissionalismo de excelência.

Medir constantemente os resultados das vendas obtidos e verificar, periodicamente, as sanções dos organismos mundiais dedicados a este efeito.

Não há outra maneira de sair vencedor de uma competição que não seja estar empenhado na concorrência, tanto nacional como internacional.

– Um tal caderno de encargos supõe, evidentemente, meios humanos à altura das exigências. Isto é um outro desafio, sem dúvida o mais importante de todos, porque dele depende o sucesso de todo o investimento no mercado mas, também, o enraizamento de uma cultura de Empresa através da qual se podem medir os dividendos a longo termo.

Os recursos humanos são vitais. E é por isso que todas as ações que visam este crescimento devem constituir uma prioridade para toda a Empresa. A formação contínua, o desenvolvimento das carreiras, uma política salarial adequada e motivadora, um clima e um ambiente social eficaz são importantes, mas não só, constituem as palavras chave de uma política que, sem a qual, o relançamento efetivo da produção nacional será, do meu ponto de vista vão ou relativo.

Quais são, no estado atual, os principais constrangimentos dos nossos exportadores argelinos?

As principais restrições dos nossos exportadores devem-se a diversos fatores, endógenos e exógenos.

– Endógenos porque o nosso país é essencialmente importador, desde a sua independência. Desde logo, o ato de exportação supõe um ambiente jurídico-administrativo que favoreça a sua concretização. Não é o que se passa devido a impedimentos administrativos múltiplos e recorrentes e de uma regulamentação exaustiva e muitas vezes inadequada, contra produtiva.

A regulamentação bancária provoca constrangimentos que tornam difíceis e desmotivantes o ato de exportação, onde a facilidade e a fluidez deveriam impor-se para favorecer a economia.

– Exógeno porque exportar os nossos produtos exige que estes sejam, em todos os aspetos, compatíveis com as normas e critérios exigidos pelos países de destino. De igual modo, os nossos produtos deverão, necessariamente, ter todas as qualidades requeridas para enfrentar a concorrência dos produtos locais.

Por fim, é necessário notar as dificuldades materiais e ambientais em todos os sentidos, quando se trata de exportar. Os problemas de infraestruturas rodoviárias, portuárias, marítimas têm que ser tidas em conta para tornar mais fluídas as nossas exportações.

 

PDG DE IFRI (13)

O que é necessário fazer para promover o produto argelino?

Promover o produto argelino é torná-lo “visível”. Através de uma política de investimentos, como já disse. Esta é uma condição necessária mas não suficiente. Será necessário tornar o produto argelino apelativo para os consumidores, que têm uma panóplia de oferta de produtos de origem estrangeira bastante alargada. É imperativo complementar com uma estratégia ativa de marketing e de publicidade que tenham como objetivo captar e fidelizar o consumidor.

Num outro registo, segundo certos economistas, o facto de o setor privado argelino ser dominado por empresas familiares, constitui em si mesmo um entrave ao desenvolvimento da economia nacional. Como analisa esta situação?

Enquanto propriedade de uma só família, temos uma visão “Patrimonial” que desenvolve praticamente todas as empresas familiares do nosso país. Há uma explicação cultural para esta situação, que é própria de sociedades insuficientemente desenvolvidas.

Com efeito, é admissível contabilizar o número de empresas familiares que são líderes mundiais no seu respetivo domínio. A diferença fundamental reside no tipo de administração escolhem, tendo em conta uma sociedade económica moderna, que se guia pelo profissionalismo, a inovação, o desenvolvimento do produto, confiando nos recursos humanos e prepará-los para um ambiente de competitividade.

Temos consciência de tudo isso e esforçamo-nos para seguir nessa direção, a fim de ultrapassar todos os obstáculos e levar ao desenvolvimento do nosso país.

Pensa que uma amnistia fiscal possa ser necessária para favorecer o relance da atividade económica?

Uma amnistia fiscal, em condições muito precisas, e que não se desvie do seu princípio, a meu ver, constitui para o nosso país uma oportunidade de obter novas fontes que não são possíveis de aceder sem esta medida. Nestas condições, uma amnistia fiscal poderá relançar a actividade económica.

Sala Benreguia, em Argel

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