Brasil | Entrevista | Igor Lopes

Brasil: António Roberto Freire, candidato lusodescendente em São Paulo

“Esse ADN dos descobridores é a minha maior virtude no campo político”, declara o lusodescendente candidato em São Paulo

Com raízes familiares em Portugal, António Roberto Freire anunciou ser pré-candidato ao cargo de vereador pela cidade de São Paulo, no Brasil.

Em conversa com a e-Global, Beto Freire falou sobre o orgulho em ser lusodescendente, sublinhou os pontos negativos deixados em São Paulo pela pandemia e destacou o que pensa mudar, se eleito, no cotidiano da população com o intuito de promover avanços sociais.

O que está a motivar a sua intenção em se candidatar à Câmara Municipal de São Paulo?

Faço trabalho voluntário e ativismo político há duas décadas, e a dificuldade de resolver questões básicas e trazer recursos para a minha região é a minha motivação e compromisso com os eleitores.

É a sua primeira candidatura?

Apesar dos convites anteriores, é a primeira vez que aceito disputar um pleito eleitoral. A minha expectativa é vencer e cumprir os meus objetivos durante o meu mandato de quatro anos.

Que desafios os próximos vereadores de São Paulo terão numa época pós-pandemia?

Cabe ao legislativo fomentar a economia regional, com destinação de Emendas Parlamentares para a infraestrutura da cidade e, principalmente, cobrar do Poder Executivo estímulo ao comércio, pois é através dos comerciantes que mais da metade da população de São Paulo tem empregos e renda.

Como o Covid-19 está a impactar a cidade de São Paulo?

O Covid-19, além de ceifar muitas vidas de amigos e vizinhos, golpeou a economia da cidade, os pequenos empresários e comerciantes são a parcela mais prejudicada, e não receberam nenhum auxílio do Poder Público, quer seja municipal, estadual e federal. O que o Covid-19 deixou evidente é a falta de investimento na saúde pública, principalmente em leitos nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI). Uma cidade com 12 milhões de habitantes, e com uma população gigantesca flutuante de turistas, trabalhadores de outros municípios e mega eventos, tinha apenas 500 leitos de UCI quando a recomendação é no mínimo um leito para cada 10 mil habitantes. O resultado é a liderança na trágica marca de óbitos confirmados da pandemia.

Que planos tem para a cidade?

Os meus anseios são a mudança na cultura política da cidade, mostrando exemplos ao invés de fazer teatro político. Infelizmente, o “pão e o circo” é um hábito brasileiro, o assistencialismo é outra erva daninha enraizada na política brasileira.

Em que áreas pretende atuar com maior atenção?

Desejo que o meu mandato tenha foco na Infraestrutura Urbana e Saúde Pública, com boa infraestrutura geramos renda, empregos e qualidade de vida. A saúde é um pilar fundamental na existência humana, doentes, não trabalhamos ou produzimos, consequentemente, não atingimos a felicidade.

O que defende ser preciso para melhorar a cidade?

A cidade de São Paulo precisa sair do horário do Sol, temos de ter elasticidade no horário comercial. Essa missão homérica visa mudar a rotina dos trabalhadores, muitos passam mais tempo indo e vindo nos congestionamentos do que no local de trabalho e residência, sem descentralização dos empregos, a cada dia, a cidade fica mais insalubre. É importante investir em mudanças muitas vezes impopulares, mas que, em pouco tempo, têm impacto positivo na qualidade de vida dos munícipes.

Como pretende atuar em favor da cidade?

Primeiro, atuando com transparência, cumprindo os compromissos eleitorais. Político é um funcionário da população, temos de trabalhar com afinco e dedicação para responder aos eleitores que nos confiaram a vaga. Com retidão e respeito à democracia, posso descordar plenamente de opiniões, mas sempre estou disposto a ouvir e a refletir sobre a posição alheia. Respeito ao erário público e às necessidades básicas de cada pedacinho da cidade, geralmente as regiões mais carentes tem migalhas do orçamento, enquanto o fiambre é destinado aos poucos bairros “nobres” da cidade.

Como enxerga os atuais problemas de corrupção no estado de São Paulo?

Corrupção, infelizmente, é uma doença presente em todas as sociedades, é uma doença do ser humano. No Brasil, é apenas escancarada. Aqui a “Lei de Gérson” leve vantagem você também. Políticos são o espelho da sociedade. Para combater e penalizar exemplarmente corruptos e corruptores é extremamente necessário mudar a cultura da sociedade como um todo.

De que forma a política nacional, ou seja, o governo Federal, deve olhar para a cidade de São Paulo?

A cidade de São Paulo é responsável por um 1/4 da arrecadação dos impostos brasileiros, desde sempre esteve na vanguarda do país, é inadmissível arrecadar muito e receber quase nada do Governo Federal.

Ser político no Brasil é hoje visto de forma crítica e negativa por parte da população, já que políticos estão a ser responsabilizados por má gestão e corrupção. Essa informação prejudica a sua intenção em se candidatar?

Muito! A estratégia das oligarquias é colocar todos no mesmo balaio, através do poder político e financeiro passando a ideia de “pior do que esta não pode ficar”. É uma conceção de comportamento que dificulta mudanças culturais, a estrutura de poder tem a sua retroalimentação na herança e no nepotismo eleitoral.

Que cargos e funções tem hoje?

Não tenho cargo remunerado, estou licenciado do Conselho de Segurança Pública do meu bairro para disputar as eleições municipais, um cargo voluntário que há muitos anos venho exercendo através de eleições a cada dois anos.

Vai concorrer por qual partido? Qual é a orientação do seu partido?

Estou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de Getúlio Vargas e Jânio Quadros, o partido mais antigo do Brasil, e responsável pela criação das Leis Trabalhistas do Brasil à época. Este ano, o partido completou 75 anos de história e, tradicionalmente, é um partir de centro-direita.

Quais são as suas ligações a Portugal?

Os meus avós maternos e a minha mãe são naturais de uma aldeia chamada Caranha, na região de Trás-os-Montes. Os meus avós paternos e o meu pai são da Gafanha da Vagueira, em Aveiro.

Que imagem tem de Portugal?

A imagem que tenho de Portugal é a dos meus avós e pais: trabalho, dignidade, honestidade e muita luta. Esse ADN dos descobridores é a minha maior virtude no campo político.

Ígor Lopes

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