Entrevista | Igor Lopes

Covid-19. Centro Lusitano de Zurique com atividades suspensas.

“As receitas quebraram radicalmente”, afirma presidente do Centro Lusitano de Zurique

“As receitas quebraram radicalmente”, é o que revela Armindo Alves, presidente do Centro Lusitano de Zurique. Esta entidade de promoção da cultura portuguesa na Suíça está a passar, a exemplo de outras associações luso-suíças, por problemas causados pela pandemia de Covid-19. As atividades estão suspensas e faltam apoios por parte das autoridades governamentais dos dois países.

Apesar desse cenário, Armindo Alves não esconde a vontade de reativar as várias ações de cariz cultural e social que o Centro realiza. Para conhecer os desafios pelos quais passa essa associação, conversamos com o presidente, que destacou os objetivos da entidade e comentou sobre a formação do Centro que acolhe centenas de associados em Zurique.

Como estão as atividades neste momento no Centro Lusitano de Zurique?

As nossas atividades estão todas paradas. Futebol, Rancho, Grupo das Janeiras, “Femme Tisch”, Grupo do Euromilhões e Historinha. Apenas temos a revista “O Lusitano” ativa. O restaurante fechamos a meados de dezembro e, até novas regras, manteremos (fechado). Desde o início de fevereiro, os nossos sócios e clientes têm a possibilidade de encomendar alguns menus “Take Away”.

Como a pandemia está a afetar as vossas ações?

A pandemia está a afetar todas a áreas, tanto financeiramente como psicologicamente.

Houve quebra nas receitas?

Infelizmente, nós não conseguimos fugir à regra e, como em todo lado, as receitas quebraram radicalmente. Desde fins de outubro, a quebra começou a notar-se e, em dezembro, foi drástica.

Receberam algum tipo de apoio das autoridades portuguesas ou suíças?

Não recebemos apoio algum até hoje, de nenhuma autoridade portuguesa, suíça. Pode ser que ainda chegue alguma coisa.

Quantos frequentadores têm mensalmente, em média?

O número de frequentadores tem baixado nos últimos tempos devido à situação atual da Covid-19, mas, em condições normais, é superior às mil pessoas.

Como caracteriza hoje a comunidade luso-suíça?

A comunidade luso-suíça é uma comunidade bem integrada, passiva e com muito talento, mas devíamos ser mais unidos. No país de acolhimento e na cidade em que vivemos, a união e a interação entre as diversas associações, empresas e instituições seria uma mais valia para a nossa comunidade. A união faz a força!

Como e quando nasceu o Centro?

Na década de 1970, era habitual aos domingos à tarde celebrar-se a missa em língua portuguesa na paroquia Dreikönig_Enge, como ainda hoje. No fim da missa no salão paroquial, no convívio das cartas e na pausa, uma bebida. É aqui que se gera o embrião da pequena comunidade portuguesa radicada na cidade de Zurique. A 8 de março de 1984 nasce o Centro Lusitano de Zurique no ceio da missão católica portuguesa de Zurique. Os fundadores foram o Padre Edmundo Alves,  Sr. Marcelo Sequeira e Fernando Macedo, entre outros, onde obtiveram a necessária autorização para se instalar a sede no rés do chão do edifício, onde existia a missão católica Portuguesa, Birmensdorferstrasse 48, onde permaneceu até 15 de maio de 2020.

Que ações desenvolvem?

O Centro Lusitano de Zurique pouco a pouco, com o entusiasmo, foi ganhando corpo e realiza também uma série de atividades. O ano de 1987 é marcado pelo entusiasmo do futebol. Um grupo de amadores, com o nome “asas de Portugal”, iniciou as competições desportivas. Em 1989, foi a vez do Folclore avançar na divulgação dos costumes e tradições nacionais. Em outubro de 1994, nasce um Boletim Informativo do Centro Lusitano, hoje uma revista: “O Lusitano de Zurique”. Em 2005, foi criada a Escola de alemão. Em 2008, foi formado o Grupo das Janeiras do Centro Lusitano, onde o montante angariado é distribuído por instituições e pessoas carenciadas em Portugal. Até hoje, o Centro enviou mais de 120 mil francos. Neste ano, também demos início ao projeto Historinha, voltado para a integração e incentivo a leitura dos mais novos. Em 2009, foi formado o grupo das Mães “Femme Tisch”. No mesmo ano, nasce a formação no futebol. Em 2010, nasce o “Incentro”, apoio escolar, com aposta principalmente em matemática e alemão. Em julho 2020, mudamos para as novas instalações, um restaurante com duas salas com capacidade para 60 pessoas por sala e uma Terrassa para 120 pessoas. Temos várias atividades festivas e culturais durante o ano. Em março, temos a festa dos sócios e o torneio de Futebol; em abril, participação no desfile da cidade de Zurique (Kinderumzug); em maio, a festa cultural a peregrinação em Einsiedeln; em junho, os Santos Populares (marchas e sardinhada); em setembro, o Festival de Folclore; e, em dezembro, a Gala do Centro Lusitano de Zurique. Realizamos atividades de solidariedade, como as Janeiras, e, no mínimo uma vez ao ano, fazemos a recolha de roupas para instituições definidas em Portugal.

Quais são as vossas principais linhas de ação?

As nossas principais linhas de ação são tentar ajudar a manter a cultura do nosso País de origem, principalmente a geração mais jovem, e contribuir de forma saudável para a integração no País de acolhimento (Suíça).

Qual é o perfil dos frequentadores e associados do Centro?

Os nossos associados são de perfil diverso. Na maioria são cidadãos portugueses residentes no Cantão de Zurique com ligação às atividades da associação (Futebol, Rancho, Revista, etc.), mas também temos sócios de nacionalidade suíça, brasileira, italiana, albanesa, um pouco de tudo. Os nossos frequentadores, na maioria, são de nacionalidade portuguesa e, desde julho de 2020, temos tido um aumento notável na clientela suíça, o que tem a ver com o local e historial das novas instalações.

Quantos associados têm?

Neste momento, temos cerca de 400 sócios (duplos e single).

Realizam atividades de promoção e ensino de língua portuguesa?

De momento, não estamos a promover, já o fizemos no passado, porque não sabemos o que promover, não somos informados de nada e ninguém nos pede nada.

Que mensagem deixam para a população que acompanha e participa nas atividades do Centro?

Agradeço a todos o empenho, a colaboração e apoio ao longo destes anos todos, pois o Centro Lusitano precisa da comunidade para se manter vivo e ativo. De momento, infelizmente, perante esta epidemia, não podemos fazer qualquer convívio, mas, logo que possível, daremos continuidade às nossas atividades. Sou otimista e tudo vai ficar bem. Voltaremos mais fortes. Muito obrigado a todos.

Ígor Lopes

 

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