Entrevista | Igor Lopes

Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’ de Andorra comemora 25 anos de fundação

O Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’, fundado no dia 1 de maio de 1996 no Principado de Andorra, celebra este ano o seu 25º aniversário. Para marcar este momento, está previsto um conjunto de iniciativas culturais em formato híbrido, juntando a componente on-line e presencial, tendo em vista a pandemia de Covid-19.

Para conhecer o momento pelo qual passa o grupo, conversamos com José Luís Carvalho, que, aos 54 anos de idade, é Diretor-Artístico do grupo. Este responsável falou sobre a programação organizada, destacou o trabalho e o empenho dos componentes para manterem a cultura portuguesa viva além-fronteiras, explicou como a Covid-19 está a impactar o quotidiano de ensaios e sublinhou pontos relevantes da vida do imigrante português em Andorra.

Como é poder celebrar 25 anos de atividade do Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’ no Principado de Andorra?

Celebrar as Bodas de Prata de uma coletividade portuguesa longe do seu país de origem é um momento de grande orgulho e repleto de sacrifícios, muita dedicação e trabalho, mas, ao mesmo tempo, é um momento de consolidação na defesa da cultura tradicional portuguesa no Principado de Andorra.

O que pode dizer sobre esses 25 anos?

Falar de 25 anos de atividade é comprovar como durante este período passaram centenas de pessoas de diferentes nacionalidades pelo Grupo e a forma como deram o seu contributo e o seu tempo a defender a cultura tradicional portuguesa em terras de Andorra. Não isento de momentos não tão bons, como qualquer coletividade, o trabalho e o orgulho dos seus dirigentes e componentes têm sido uma referência da cultura tradicional portuguesa em Andorra. Viajamos por seis países para conviver com portugueses e nacionais de Espanha, França, Portugal, Suíça, Luxemburgo e Mónaco. Dispomos de três trabalhos discográficos editados em 2001, 2006 e 2014 e de um selo filatélico editado em 2013 pelo Museu Postal do Principado de Andorra. Realizamos duas exposições, em 2001 e 2006, sobre a atividade e o trajar do Grupo, respetivamente. Em 2013, o Município de Viana do Castelo concedeu-nos o Diploma de Instituição de Mérito e, mais recentemente, em 2018, entramos a fazer parte da Federação do Folclore Português, como sócios aderentes.

Como está a ser preparada a programação para essas comemorações?

Não podemos esquecer que estamos em plena pandemia devido à Covid-19 e, por isso, programamos uma série de atividades que sejam compatíveis com a emergência sanitária e as restrições que também no Principado de Andorra estamos afetados. Iniciamos o ano 2021 com a apresentação de forma digital da tradição das Janeiras, já que, este ano, não podemos sair à rua para levar esta tradição bem portuguesa junto dos estabelecimentos comerciais, Igrejas, Centros de Solidariedade, entre outros. No dia 21 de março, iremos plantar uma árvore num jardim de Andorra la Vella para celebrar o enraizamento do nosso Grupo ao Principado. A 29 de abril, será lançado o livro comemorativo e retrospetivo de 25 anos de atividade do Grupo, formado por 180 página e mais de 800 fotografias do Grupo e das suas atividades. A meados de maio, será inaugurada a exposição fotográfica “Retratos de hoje… e de antes”, um trabalho dos membros do Grupo que recrearam nos museus do Principado atividades do quotidiano das gentes portuguesas de início do século XX. Atividades habituais como o Feirão, entre outras, antecedem a exposição que será realizada em novembro em colaboração com o Ministério da Cultura andorrano. Se as condições sanitárias permitirem, estão previstas também as participações no Desfile Nacional do Traje Popular Português na Covilhã e a Peregrinação anual ao Santuário de Fátima, organizações a cargo da Federação do Folclore Português.

Como a pandemia impactou as vossas atividades?

Como referi anteriormente, procuramos que o impacto da pandemia seja o menor possível nas atividades programadas para celebrar os 25 anos de atividade do Grupo. Mesmo assim, a pandemia está a afetar-nos diretamente, já que nos impede de realizar o ensaio semanal, a cada sexta-feira, assim como os convívios gastronómicos na sede da instituição.

Que atividades o grupo desenvolve?

Anualmente, o Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’ realiza um conjunto de atividades que já fazem parte do calendário de atividades culturais do Principado, nomeadamente, as Janeiras, o Festival de Folclore Ibérico, em maio, e o mercado tradicional “O Feirão”, em julho. Além disso, o Grupo é um fiel representante da portugalidade na festa da Diversidade Cultural, em maio, e na Feira das Culturas, em outubro, organizadas pelo Comú d’Andorra la Vella.

Que região de Portugal representam?

A região etnográfica que o Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’ representa é a enquadrada no Alto Minho e, principalmente, na Ribeira Lima e na Serra d’Arga, em Viana do Castelo.

Quantos componentes têm?

Atualmente, o Grupo está formado por 60 elementos de diferentes nacionalidades e com idades compreendidas entre os dois e os 62 anos, embora a média de idade seja muito jovem.

Onde se apresentam?

Principalmente no Principado de Andorra e já visitamos Mónaco, Luxemburgo e, por diversas vezes, Suíça, Portugal, Espanha e França.

Que danças são mais apresentadas?

O reportório de danças é originário da Ribeira Lima e Serra d’Arga em Viana do Castelo e podem ser apreciadas modas como o Senhor da Serra, Nossa Góta, Chula de Viana, Vira Espanhol, Vira das Palmas, entre outras.

Onde ensaiam?

O Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’ dispõe, desde 2014, de sede própria e ensaia a cada sexta-feira nas suas instalações.

O que esperam do futuro?

Não há dúvidas de que o momento que estamos a atravessar é muito triste e preocupante para o movimento associativo, embora a nossa atividade, atendendo às limitações impostas, não impede que continuemos ativos. Mesmo assim, temos esperança que brevemente poderemos retomar os ensaios e os convívios de forma a podermos manter vivas as nossas tradições e a nossa cultura.

Como é ser imigrante português em Andorra?

Ser emigrante português no Principado de Andorra é sinónimo de viver num país com uma qualidade de vida excelente, ter acesso a trabalho remunerado e desfrutar de uma consideração ótima por parte das autoridades andorranas em relação à nossa comunidade. O facto de nos encontrarmos a pouco mais de dez horas de viagem de Portugal faz com que essa proximidade atenua o sentimento de “saudade” das nossas raízes.

Que mensagem deixam para a comunidade portuguesa em Andorra?

Desejamos que a comunidade portuguesa no Principado de Andorra e nos quatro cantos do mundo seja forte e paciente com esta pandemia e que, quanto antes, possamos retomar as nossas atividades normais e reforçar os laços com Portugal e com a cultura portuguesa.

Ígor Lopes

 

 

 

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